Finanças
Ex-presidente do BRB demonstrou preocupação com possível quebra do Master, aponta PF
Em depoimento, Paulo Henrique Costa afirmou que era preciso ganhar tempo para trocar carteiras de crédito
Uma anotação apreendida pela Polícia Federal (PF) no Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do Distrito Federal, revelou a preocupação do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, com uma possível quebra do Master.
O registro fazia menção a uma reunião destinada a discutir a compra de carteiras de crédito do banco privado Master pelo BRB. A anotação foi citada durante o depoimento de Costa à PF, realizado no fim do ano passado.
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No depoimento, a PF questionou Costa sobre o conteúdo da anotação, que, segundo a investigação, dizia: "Presidente afirmou novamente que faz-se necessário efetuar as compras de carteiras, afirmando que esses créditos foram verificados e que, se não houver, o Master vai quebrar".
A anotação foi apreendida em novembro de 2023, durante a deflagração da Operação Compliance Zero, dois meses após o Banco Central (BC) ter rejeitado a venda do Master ao BRB. A aquisição das carteiras do Master vinha ocorrendo desde o segundo semestre de 2023. Durante a análise do processo, o BC apontou suspeita de fraude em um montante de R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB, determinando a substituição dos ativos.
Indagado sobre a anotação, Costa afirmou à PF que sua declaração “não seria uma afirmação de salvamento”.
“O que estava acontecendo nesse momento era a substituição de carteiras e a gente precisava, sim, ganhar tempo para que aquela substituição de carteira acontecesse”, declarou.
Em outro trecho do depoimento, Costa acrescentou: “No meu papel de zelar pelo BRB, eu precisava ganhar tempo para que a gente pudesse substituir as carteiras”.
O ex-presidente também explicou os motivos do negócio com o Master. Segundo ele, ao assumir a presidência do BRB em 2019, o banco estava estagnado e com atuação limitada. Costa enxergou, então, uma oportunidade para ampliar a presença da instituição, especialmente em setores nos quais o BRB não era competitivo.
Ele destacou a atuação do Master no segmento de médias e grandes empresas, além do mercado de capitais, áreas nas quais o BRB buscava entrar.
A operação de compra do Master foi anunciada em março por R$ 2 bilhões. No decorrer das negociações e diante das suspeitas de fraude nas carteiras do Master, mais de R$ 50 bilhões em ativos foram retirados da transação.
O Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro. O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso e atualmente utiliza tornozeleira eletrônica.
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