Finanças

Ex-presidente do BRB demonstrou preocupação com possível quebra do Master, aponta PF

Em depoimento, Paulo Henrique Costa afirmou que era preciso ganhar tempo para trocar carteiras de crédito

Agência O Globo - 29/01/2026
Ex-presidente do BRB demonstrou preocupação com possível quebra do Master, aponta PF
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma anotação apreendida pela Polícia Federal (PF) no Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do Distrito Federal, revelou a preocupação do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, com uma possível quebra do Master.

O registro fazia menção a uma reunião destinada a discutir a compra de carteiras de crédito do banco privado Master pelo BRB. A anotação foi citada durante o depoimento de Costa à PF, realizado no fim do ano passado.

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No depoimento, a PF questionou Costa sobre o conteúdo da anotação, que, segundo a investigação, dizia: "Presidente afirmou novamente que faz-se necessário efetuar as compras de carteiras, afirmando que esses créditos foram verificados e que, se não houver, o Master vai quebrar".

A anotação foi apreendida em novembro de 2023, durante a deflagração da Operação Compliance Zero, dois meses após o Banco Central (BC) ter rejeitado a venda do Master ao BRB. A aquisição das carteiras do Master vinha ocorrendo desde o segundo semestre de 2023. Durante a análise do processo, o BC apontou suspeita de fraude em um montante de R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB, determinando a substituição dos ativos.

Indagado sobre a anotação, Costa afirmou à PF que sua declaração “não seria uma afirmação de salvamento”.

“O que estava acontecendo nesse momento era a substituição de carteiras e a gente precisava, sim, ganhar tempo para que aquela substituição de carteira acontecesse”, declarou.

Em outro trecho do depoimento, Costa acrescentou: “No meu papel de zelar pelo BRB, eu precisava ganhar tempo para que a gente pudesse substituir as carteiras”.

O ex-presidente também explicou os motivos do negócio com o Master. Segundo ele, ao assumir a presidência do BRB em 2019, o banco estava estagnado e com atuação limitada. Costa enxergou, então, uma oportunidade para ampliar a presença da instituição, especialmente em setores nos quais o BRB não era competitivo.

Ele destacou a atuação do Master no segmento de médias e grandes empresas, além do mercado de capitais, áreas nas quais o BRB buscava entrar.

A operação de compra do Master foi anunciada em março por R$ 2 bilhões. No decorrer das negociações e diante das suspeitas de fraude nas carteiras do Master, mais de R$ 50 bilhões em ativos foram retirados da transação.

O Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro. O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso e atualmente utiliza tornozeleira eletrônica.