Finanças
Caso Master: PF vê risco sistêmico ao sistema financeiro e aponta transferência suspeita para pai de Vorcaro
Relatórios da Polícia Federal apontam desvio de recursos e movimentações suspeitas envolvendo o Banco Master e familiares do dono da instituição.
A Polícia Federal (PF) analisou relatórios de inteligência financeira (RIFs) dos investigados no caso Master e concluiu que há "fortes indícios" de desvio de recursos e risco sistêmico ao sistema financeiro nacional, em um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro.
Segundo os relatórios, empresas com capital social considerado "ínfimo" cederam "direitos creditórios milionários" para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ligados ao Banco Master.
A investigação também identificou movimentações financeiras suspeitas, como uma transferência de R$ 9 milhões feita por um intermediário para Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Ambos foram alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, nesta quarta-feira.
"Há fortes indícios de desvio de recursos e risco sistêmico ao sistema financeiro", afirmou Toffoli em decisão divulgada nesta quinta-feira.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro declarou que ele "tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes". O comunicado reforça que todas as medidas judiciais determinadas serão cumpridas com transparência e que Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos, reiterando confiança no devido processo legal.
O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo destacou que os supostos crimes apontam para a existência de uma organização criminosa atuante desde a década passada.
"Nesse contexto, o histórico reunido pela Polícia Federal sobre investigações anteriores serve como indício da existência do crime de organização criminosa estruturada desde a década passada, além de demonstrar que os fatos apurados não resultam de uma situação ocasional de descontrole. Pelo contrário, revelam planejamento e escalada das atividades criminosas dos envolvidos", afirmaram os procuradores.
No documento, o MPF defendeu que a investigação deveria ser conduzida pela Justiça Federal de São Paulo. No entanto, Toffoli entendeu que o alcance das apurações é ainda maior do que o da Operação Compliance Zero, já sob sua relatoria, ressaltando o suposto aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização.
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