Finanças
Toffoli determina que PGR guarde provas do caso Master sem solicitação formal de Gonet
Encaminhamento do material não foi solicitado formalmente pelo Ministério Público e partiu de entendimento do ministro do STF
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) ficará responsável por guardar as provas obtidas na operação que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão, tomada nesta quarta-feira, não atendeu a um pedido expresso da PGR, mas resultou de entendimento próprio do magistrado.
Fontes próximas às investigações informaram ao GLOBO que a PGR havia solicitado apenas o acesso ao material apreendido na segunda fase da operação deflagrada pela Polícia Federal, sem requisitar a custódia do acervo.
Apesar do pedido restrito à análise das provas, Toffoli entendeu que seria mais adequado manter o material sob a tutela do Ministério Público. O impasse sobre o destino das provas surgiu depois que o ministro determinou que os itens fossem lacrados e custodiados pelo STF, e não pela Polícia Federal, como normalmente ocorre.
Na noite de quarta-feira, Toffoli expediu despacho determinando que a PGR realizasse a extração e análise de todo o material apreendido na operação relacionada ao Banco Master. O ministro destacou que o Ministério Público deveria analisar o conjunto probatório para formar convicção sobre a materialidade e autoria dos crimes investigados.
Além disso, Toffoli determinou que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, adotasse providências para garantir a preservação das provas, como manter os aparelhos eletrônicos carregados e desconectados de redes telefônicas e de wi-fi até a realização das perícias.
A Operação Compliance Zero visa aprofundar as investigações sobre supostas fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master. O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, voltou a ser alvo após a Polícia Federal apontar suspeitas de "novos ilícitos".
Em balanço divulgado após o cumprimento de mais de 40 mandados de busca e apreensão, a Polícia Federal informou que foram apreendidos 39 celulares, 31 computadores e 30 armas. Além disso, foram recolhidos R$ 645 mil em espécie e 23 veículos avaliados em cerca de R$ 16 milhões.
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