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'A paz voltou': rotina de brasileiros na Austrália muda um mês após veto a redes sociais para menores

País proibiu acesso a plataformas por menores de 16 anos. Famílias relatam que jovens passaram a dormir melhor, sair mais de casa e se interessar mais por estudos e esportes.

Agência O Globo - 10/01/2026
'A paz voltou': rotina de brasileiros na Austrália muda um mês após veto a redes sociais para menores
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um mês após a proibição de redes sociais para menores de 16 anos entrar em vigor na Austrália, mães brasileiras que vivem no país relatam mudanças significativas no comportamento dos filhos. Segundo elas, as crianças e adolescentes passaram a demonstrar maior interesse por atividades ao ar livre, além de apresentarem melhora na convivência familiar e no desempenho escolar.

Medidas similares:

Despedida:

A medida, implementada em 10 de dezembro do ano passado para proteger a saúde mental e o bem-estar dos jovens, baniu adolescentes de dez plataformas sociais no país, incluindo TikTok, Instagram, Facebook, X (antigo Twitter) e outras.

Maria Heneghan, animadora de festas de 52 anos que divulga a cultura brasileira em eventos na Austrália e mora há 12 anos no país, tem dois filhos — Zavhinia Mary, de 10 anos, e Michael Gabriel, de 12. Ela resume o impacto da nova lei: “A paz voltou por aqui”, desabafa.

Moradora de Gold Coast, cidade turística próxima a Brisbane, Maria conta como era a relação das crianças com as redes antes da restrição e como reagiram à nova regra.

“Antes dessa lei, eles tinham conta no TikTok e em jogos. Logo após a restrição ser imposta, ficaram tristes, mas depois aceitaram e agora estão bem”, relata.

Segundo ela, os filhos estão vivendo uma infância mais saudável e adquirindo novos hábitos. “Agora, eles brincam mais na rua, interagem mais com os amigos, se divertem muito mais que antes e se ocupam com muitas outras coisas. Jogam vôlei, futebol, fazem capoeira e também tocam violino, além de estarem mais dispostos e com mais energia”, explica.

Maria também percebeu mudanças na convivência familiar. “Eles conversam mais comigo, brincam com os pets, saem para pescar e estão mais interessados nos estudos”, afirma. “Tudo melhorou. Eles dormem mais, acordam mais dispostos, estão mais atenciosos e melhoraram as notas na escola.”

Ela ressalta que os filhos não deixaram de usar a internet, mas agora direcionam a atenção para outras finalidades, como estudos, jogos e aprendizado do português.

Outras famílias brasileiras também enfrentam o desafio de ajudar os filhos a se adaptarem à nova realidade. A cabeleireira Vera Lúcia Moreira, de 50 anos, vive há três anos e meio na Austrália, na região de Central Coast, ao norte de Sydney, com a filha Theodora Alexandra, de 9 anos.

Vera conta que, no início, a adaptação da filha foi difícil devido à dependência das redes sociais. “Ela amava fazer vídeos, postar maquiagem, comida, lugares, fotos nossas e tudo mais”, relata. A filha questionava constantemente por que só na Austrália havia essa proibição.

Segundo Vera, as duas primeiras semanas após a restrição foram as mais complicadas. O apego de Theodora às redes começou ainda no Brasil, quando ficou sob os cuidados da família enquanto a mãe viajava para a Austrália. “Nesse tempo, ela teve um celular totalmente disponível para ela. Quando chegou aqui, com 8 anos, apegou-se ainda mais às redes por não falar a língua do país”, explica.

Vera admite não saber lidar com a situação e sentiu alívio com a notícia da proibição. Desde então, a filha avançou no inglês e dedica mais tempo à leitura. “Hoje, ela brinca como uma criança de 9 anos: pula corda, brinca de amarelinha, esconde-esconde, corre, anda de patinete e se diverte com várias outras brincadeiras. Ela descobriu que celular não era tudo”, conclui.

*Estagiária sob supervisão de Danielle Nogueira.