Finanças

União Europeia aprova assinatura de acordo comercial com Mercosul

Presidente da Comissão Europeia anuncia decisão histórica em suas redes sociais

Agência O Globo - 09/01/2026
União Europeia aprova assinatura de acordo comercial com Mercosul
Ursula von der Leyen - Foto: Reprodução / Instagram

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta terça-feira (data fictícia), a aprovação, por ampla maioria dos países que integram a União Europeia (UE), do acordo de livre comércio com o Mercosul – bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

“A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica”, escreveu Ursula em sua conta na rede social X. “A Europa está enviando um sinal forte.

Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, acrescentou a presidente da Comissão, responsável por elaborar propostas de leis para todo o bloco e por executar as decisões do Parlamento e do Conselho europeu.

Com a aprovação confirmada, Ursula von der Leyen poderá viajar ao Paraguai, já na próxima semana, para ratificar o acordo junto aos países-membros do Mercosul. O Paraguai assumiu, em dezembro de 2025, a presidência rotativa pro-tempore do bloco.

Em comunicado oficial divulgado na página da Comissão Europeia, Ursula afirmou esperar ansiosamente pela assinatura do acordo, que ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.

“Em um momento em que o comércio e as dependências estão sendo usadas como armas, e a natureza perigosa e transacional da realidade em que vivemos se torna cada vez mais evidente, este acordo comercial histórico é mais uma prova de que a Europa traça seu próprio curso e se mantém como uma parceira confiável.”

A presidente da Comissão também destacou “a forte liderança e boa cooperação” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que o Brasil presidiu o Mercosul, entre julho e dezembro de 2025.

Mais cedo, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, informou em sua conta no X que, além da Polônia, Áustria, França, Hungria e Irlanda votaram contra o acordo.

Pelas regras do bloco, a proposta precisava do aval de ao menos 15 dos 27 Estados-membros que, juntos, representem pelo menos 65% da população total da UE.

Repercussão

No Brasil, a decisão foi celebrada por lideranças políticas e empresariais. A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) destacou que o acordo cria um mercado de quase US$ 22 trilhões, com potencial para ampliar as exportações brasileiras para a União Europeia em cerca de US$ 7 bilhões.

“Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de quase US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, afirmou o presidente da agência, Jorge Viana, em nota.

Viana também ressaltou a qualidade das exportações brasileiras ao bloco europeu: “Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento.”

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte, como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões – setores estratégicos para a inserção competitiva do Brasil.

Também haverá oportunidades para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Diversas commodities terão redução gradativa das tarifas até a eliminação total, conforme cotas estabelecidas.