Finanças

IPCA fecha 2025 em 4,26% e fica dentro do teto da meta pela primeira vez desde 2019

Na variação mensal, indicador atinge 0,33%, melhor resultado para dezembro desde 2018

Agência O Globo - 09/01/2026
IPCA fecha 2025 em 4,26% e fica dentro do teto da meta pela primeira vez desde 2019
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A inflação oficial do país encerrou 2025 em 4,26%, ficando abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Este é o primeiro ano, desde 2019, em que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) permanece dentro desse intervalo no acumulado anual.

Em 2019, o índice foi de 4,31%. Este também é o primeiro registro desse patamar durante o atual governo Lula.

O resultado, divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (9), representa um alívio para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que não precisará redigir a carta para justificar inflação fora da meta — documento que já foi necessário em duas ocasiões desde o início de seu mandato neste ano.

Selic

Economistas apontam que a elevação da taxa básica de juros, a Selic, pelo Comitê de Política Monetária do BC (Copom), que atingiu 15% ao ano — o maior patamar desde 2006 — foi fundamental para conter a inflação abaixo de 4,5% em 2025. Com esse cenário, analistas já vislumbram a possibilidade de início do ciclo de cortes de juros em 2026.

O IPCA ficou levemente abaixo das expectativas dos analistas de mercado ouvidos pela Bloomberg, que projetavam alta de 4,27% no acumulado do ano. Em 2024, o índice fechou em 4,83%.

“Esse é o quinto menor resultado da série desde o Plano Real, ou seja, nos últimos 31 anos. Antes dele, temos 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018 (3,75%)”, destacou Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa.

Preços dos alimentos

Ainda que a inflação dos alimentos tenha acelerado em dezembro, as quedas registradas ao longo do ano foram essenciais para manter o índice dentro do teto da meta em 2025. O grupo, que tem o maior peso no IPCA, desacelerou de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025, com destaque para a alimentação no domicílio, que passou de 8,23% para 1,43%.

De junho a novembro, a alimentação no domicílio acumulou recuo de 2,69%, registrando quedas por seis meses consecutivos.

Por outro lado, o grupo habitação — que inclui energia elétrica — exerceu a maior pressão na variação anual, acelerando de 3,06% em 2024 para 6,79% em 2025.

Na variação mensal, o IPCA acelerou para 0,33%, em linha com as estimativas dos analistas, após registrar 0,18% em novembro. Este foi o melhor resultado para um mês de dezembro desde 2018.