Finanças

Eurodeputados ameaçam recorrer à Justiça para barrar acordo UE-Mercosul

Acordo não entrará imediatamente em vigor após sua assinatura, pois do lado da União Europeia também é necessário o aval do Parlamento Europeu, que deverá se pronunciar em um prazo de várias semanas.

Agência O Globo - 09/01/2026
Eurodeputados ameaçam recorrer à Justiça para barrar acordo UE-Mercosul
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Apesar da forte oposição de agricultores europeus e da resistência da França, líderes da União Europeia deram sinal verde para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje ao Paraguai já na próxima segunda-feira para assinar o tratado comercial com o Mercosul.

Última tentativa:

Mesmo que a assinatura avance na próxima semana em Assunção, o acordo não terá efeito imediato. Isso porque, do lado europeu, ainda é necessário o aval do Parlamento Europeu, que deverá se manifestar em algumas semanas.

A principal preocupação é que cerca de 150 eurodeputados, de um total de 720, ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo.

Alguns obstáculos permanecem. O crescimento da extrema direita no Parlamento Europeu, a rejeição da Esquerda e as divergências entre os demais grupos, devido a interesses nacionais distintos, indicam que a votação será acirrada, conforme aponta reportagem do El País.

O tratado é fruto de mais de 20 anos de negociações e é considerado histórico, pois criará uma zona de livre-comércio com mais de 720 milhões de consumidores. Juntas, as economias envolvidas somam US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

Nova oferta:

Em dezembro, a União Europeia adiou a assinatura do acordo após o presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, se recusarem a apoiar o texto sem garantias adicionais para proteger o setor agrícola europeu.

UE-Mercosul:

Nesta semana, Bruxelas intensificou as negociações para superar os últimos entraves. Na quarta-feira, ministros da Agricultura da UE manifestaram preocupação com a competição de produtos provenientes do Mercosul.