Finanças

Itália pressiona por gatilho de salvaguarda de 5% em acordo com Mercosul

Limite mais rígido já era uma demanda da União Europeia; votação no Conselho Europeu pode destravar assinatura do tratado

Agência O Globo - 08/01/2026
Itália pressiona por gatilho de salvaguarda de 5% em acordo com Mercosul
Itália pressiona por gatilho de salvaguarda de 5% em acordo com Mercosul - Foto: Reprodução

A Itália quer um gatilho de salvaguarda mais rigoroso no acordo comercial com o Mercosul. Em entrevista ao jornal financeiro Il Sole 24 Ore, o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, afirmou que o governo italiano está pressionando para reduzir o ponto a partir do qual as cláusulas de salvaguarda seriam acionadas, baixando-o para 5%.

Oposição:

Contra o Mercosul:

“Queremos que esse limite de 8% seja reduzido para 5% (na proposta original era 10%). E acreditamos que existem condições para alcançar esse resultado”, disse Lollobrigida ao jornal italiano, antes da votação da União Europeia sobre o tratado, na qual a posição de Roma poderá ser decisiva para sua aprovação.

O limite de 5% já era uma demanda da União Europeia. Os eurodeputados determinaram que a Comissão Europeia intervenha caso o preço de um produto do Mercosul fique pelo menos 5% abaixo do valor da mesma mercadoria na UE ou se o volume de importações isentas de tarifa aumentar mais de 5%. A proposta inicial fixava esses limites em 10%.

De acordo com a proposta apresentada em setembro pela Comissão Europeia, uma investigação seria aberta em três situações: se os preços de importação do Mercosul fossem ao menos 10% inferiores aos dos mesmos produtos ou concorrentes da UE; se houvesse aumento superior a 10% no volume das importações anuais de um produto do Mercosul sob condições preferenciais; ou uma queda de 10% nos preços de importação dos produtos do Mercosul em relação ao ano anterior.

Nova oferta:

Segundo o que foi aprovado pelo Parlamento Europeu no mês passado, esses parâmetros seriam mais rígidos, baixando para 5%.

O Conselho da União Europeia poderá aprovar o acordo comercial negociado desde 1999 nesta sexta-feira, apesar da resistência de alguns Estados-membros, o que permitiria à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinar o tratado na próxima segunda-feira.

Na entrevista ao Il Sole 24 Ore, o ministro informou que diplomatas italianos realizam verificações técnicas e políticas finais após receberem garantias iniciais quanto à reciprocidade em matéria de segurança alimentar. A Itália quer assegurar que os produtos agrícolas importados para a UE cumpram as mesmas normas exigidas aos produtores do bloco europeu.