Finanças

PF apura possível contratação de influenciadores para atacar Banco Central e defender Banco Master

A Febraban também avalia se postagens atípicas em redes sociais, no fim de dezembro, foram parte de ataque coordenado

Agência O Globo - 08/01/2026
PF apura possível contratação de influenciadores para atacar Banco Central e defender Banco Master
Polícia Federal - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A Polícia Federal investiga uma possível atuação coordenada contra autoridades e instituições envolvidas na liquidação do Banco Master, com foco em ataques ao Banco Central (BC) e a seus diretores. O objetivo da apuração é identificar se houve pagamento por publicações, quem financiou as ações e se elas integraram uma estratégia organizada de desinformação ou pressão política.

A investigação ganhou força após reportagens apontarem que influenciadores relataram ter recebido propostas para divulgar a narrativa de que o BC teria sido precipitado ao decretar a liquidação da instituição financeira. Segundo informações de coluna, a intenção era questionar a atuação do regulador e ampliar críticas, baseando-se em um despacho do Tribunal de Contas da União (TCU).

Entre os nomes citados estão o vereador Rony Gabriel (PL-RS), com cerca de 1,4 milhão de seguidores, e Juliana Moreira Leite, conhecida nas redes como @jliemilk, que possui número semelhante de seguidores. Ambos afirmaram que foram procurados por agências especializadas em marketing de influência, mas recusaram as propostas.

De acordo com a coluna, a abordagem previa a divulgação de uma reportagem publicada em 19 de dezembro, que noticiava despacho do TCU apontando “indícios de precipitação” na liquidação do banco e concedendo prazo para explicações do BC. A orientação era produzir vídeos que ecoassem a posição da Corte e colocassem em dúvida a decisão do Banco Central.

Paralelamente, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) analisa se um volume atípico de postagens em redes sociais, no final de dezembro, pode ter sido um ataque coordenado à entidade, em meio ao noticiário sobre a liquidação do Banco Master. No fim daquele mês, a Febraban, juntamente com outras entidades, divulgou nota defendendo a atuação do Banco Central no caso Master e solicitando a preservação da autoridade técnica do BC para evitar “cenário gravoso de instabilidade”.

"A Febraban está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico", informou a Febraban em nota.

O documento divulgado pela Febraban foi assinado também pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi) e pela Zetta, que representa empresas do setor financeiro e de meios de pagamento. Também endossaram a defesa do BC a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) e a ABBC.