Finanças
Banco cambojano Prince entra em liquidação após extradição de fundador acusado de megafraude cibernética
Chen Zhi foi entregue à China um dia antes do anúncio do Banco Central; empresário já havia sido sancionado pelos EUA por denúncias de trabalho forçado
O banco cambojano Prince, fundado pelo magnata Chen Zhi, entrou em processo de liquidação, conforme anunciou nesta quinta-feira (data local) o Banco Central do Camboja. A decisão ocorre um dia após a extradição de Chen Zhi para a China, onde ele é acusado de comandar operações de ciberfraudes bilionárias.
Quem é Chen Zhi?
Chen Zhi, de origem chinesa, já havia sido sancionado pelos Estados Unidos em outubro passado, sob a acusação de liderar operações de trabalho forçado no Camboja. Essas sanções tiveram impacto direto sobre a indústria tabagista latino-americana.
O grupo Prince é o maior acionista da Allied Cigar Corporation, controladora da espanhola Tabacalera. Esta, por sua vez, detém a Tabacalera de García, na República Dominicana, e a Habanos, em Cuba, empresa dividida com a estatal Cubatabaco.
Extradição e repercussões
Na noite de quarta-feira, autoridades cambojanas anunciaram a detenção e extradição de três cidadãos de origem chinesa, incluindo Chen Zhi, como parte de uma cooperação internacional no combate à criminalidade transnacional.
Em comunicado oficial, o Banco Nacional do Camboja afirmou: “O Banco Nacional do Camboja deseja informar ao público que o Prince Bank Plc. foi colocado em liquidação, em conformidade com as leis do Reino do Camboja”.
O banco central garantiu que os clientes poderão “retirar seu dinheiro normalmente, mediante a apresentação dos documentos necessários”.
As autoridades chinesas não comentaram a extradição. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, procurado pela reportagem, informou por meio de um porta-voz que não se manifestaria sobre o caso.
Atuação do grupo Prince e contexto local
Apesar das acusações, o grupo Prince nega qualquer irregularidade e permanece como um dos principais conglomerados do Camboja. Fundado em 2015, o grupo atua em mais de 30 países, com presença nos setores imobiliário, financeiro e de bens de consumo.
Especialistas destacam que o Camboja abriga dezenas de centros de golpes virtuais, onde milhares de pessoas participam de fraudes on-line — algumas de forma voluntária, outras como vítimas de tráfico humano.
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