Finanças

Reunião de ministros amplia subsídios agrícolas e aproxima ainda mais UE de aval para acordo com Mercosul

Representantes dos países do bloco aprovaram orçamento garantido de quase 300 bilhões de euros para subsidiar agricultores do continente, numa tentativa de remover resistências

Agência O Globo - 07/01/2026
Reunião de ministros amplia subsídios agrícolas e aproxima ainda mais UE de aval para acordo com Mercosul
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma reunião dos ministros da Agricultura dos países da União Europeia (UE), realizada nesta segunda-feira em Bruxelas, representou mais um passo para remover os últimos obstáculos à assinatura final do acordo entre o bloco europeu e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A formalização pode ocorrer já na próxima semana.

Durante o encontro, foi anunciado um orçamento garantido de € 293,7 bilhões (R$ 1,73 trilhão) no âmbito da chamada Política Agrícola Comum (PAC), destinado a dar previsibilidade financeira aos produtores rurais do continente. O objetivo é tranquilizar o setor agrícola europeu, que teme concorrência desleal dos países do Mercosul caso o acordo seja firmado. Cada governo nacional poderá, ainda, ampliar esse montante.

Também foram anunciadas garantias adicionais de € 40 bilhões (R$ 236 bilhões) para pesquisas em biotecnologia. A UE ainda irá dobrar a reserva para crises de mercado, chegando a 6,3 bilhões de euros, para proteger agricultores europeus de eventuais choques de preço.

Segundo o jornal francês Le Monde, a expectativa é que Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, esteja no Paraguai na próxima segunda-feira, dia 12, para assinar o acordo após 25 anos de negociações.

Amanhã, haverá uma votação entre os 27 Estados-membros. Apesar da oposição da França, espera-se a aprovação do acordo, especialmente após a mudança de posição da Itália.

“O acordo UE-Mercosul oferece enormes vantagens e um potencial considerável”, declarou ao Le Monde o ministro de Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani.

Por outro lado, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, reforçou a posição contrária do país após a reunião com seus colegas:

“Houve progressos, é preciso reconhecer, mas continua sendo um acordo profundamente desestabilizador para muitos setores, como os de frango, carne bovina, açúcar e etanol. A posição da França foi muito clara na última vez em que o presidente da República se pronunciou sobre o tema, afirmando que, da forma como está, o projeto é inaceitável”, disse Genevard à Radio France.

Na tentativa de acalmar o setor agrícola, a Comissão Europeia também prometeu reduzir as taxas sobre fertilizantes nitrogenados e suspender o imposto de carbono sobre fertilizantes, retroativamente a 1º de janeiro deste ano, quando a medida entrou em vigor.

O governo francês estimava que esse imposto poderia aumentar o custo dos fertilizantes em até € 4 mil por propriedade rural ao ano.

Apesar das medidas, representantes dos agricultores mantiveram protestos nas ruas de Bruxelas. O secretário-geral do sindicato Coordenação Rural, François Walraet, declarou ao site franceinfo que as ações prometidas pela Comissão Europeia ainda são insuficientes:

“As medidas que estão sendo tomadas são amplamente insuficientes, não apenas para compensar o acordo com o Mercosul, mas, de forma geral, para tentar tirar a agricultura do atoleiro em que se encontra há anos.”