Finanças
Presidente da ANS critica possível suspensão de atendimento da Unimed Ferj por hospitais
Agência reguladora cobra da Unimed do Brasil comunicação mais clara sobre a rede credenciada aos usuários
Para Wadih Damous, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a possibilidade de que hospitais do Rio de Janeiro descredenciem em conjunto a Unimed Ferj devido a dívidas "beira o ilícito". A declaração foi feita nesta quarta-feira (7).
Nesta terça-feira, a Associação de Hospitais do Estado do Rio (Aherj) decidiu, em assembleia, pela suspensão do atendimento aos usuários da operadora. A medida pode entrar em vigor 30 dias após a notificação da ANS, do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) e das secretarias municipal e estadual de Saúde.
— Eles não podem se unir para atentar contra a vida das pessoas. Isso beira o ilícito. Não é permitido. Não se trata de articular a cobrança, mas de ameaçar a suspensão do atendimento, colocando em risco a saúde e a vida dos usuários — afirmou Damous.
A Aherj reúne 107 hospitais e clínicas associadas. A decisão foi unânime entre os participantes da assembleia, embora nem todas as unidades integrem a rede credenciada da Unimed Ferj, composta por cerca de 40 hospitais e clínicas no Rio. Segundo Marcus Quintella, presidente da Aherj, os hospitais não são obrigados a aderir à suspensão dos atendimentos.
Dívidas
De acordo com a entidade, a Unimed Ferj acumula dívidas superiores a R$ 2 bilhões com hospitais do estado, valor contestado pela operadora.
Damous destacou que a cobrança dessas dívidas deve ocorrer sem prejudicar o atendimento aos usuários, cuja responsabilidade passou para a Unimed do Brasil desde novembro.
Segundo o presidente da ANS, os hospitais que seguirem a recomendação da Aherj estarão descumprindo decisão judicial. Isso porque, em novembro, a Unimed Ferj obteve liminar que suspende cobranças e proíbe hospitais, clínicas, laboratórios e prestadores conveniados de recusarem ou restringirem atendimento aos usuários do plano.
— Conversei hoje com dirigentes da Unimed do Brasil e pedi uma comunicação clara aos usuários, informando onde há atendimento disponível. O principal efeito dessa assembleia dos hospitais foi gerar desinformação — afirmou Damous.
'Impacto ínfimo'
Em sua avaliação, o impacto da articulação dos hospitais é "ínfimo", já que, no último mês, a Unimed do Brasil firmou acordo com seis redes hospitalares e de laboratórios para "normalizar e expandir o atendimento" aos beneficiários. Entre as unidades estão as redes Prontobaby, Américas (Pró-Cardíaco, Vitória e São Lucas) e Oncoclínicas, que haviam suspendido atendimentos recentemente por falta de pagamento.
Além da suspensão dos atendimentos, os hospitais decidiram solicitar ao MPRJ e à ANS providências sobre a situação da Ferj, incluindo possibilidades de intervenção ou até liquidação da operadora e transferência da carteira. No entanto, tais medidas não estão atualmente no radar da agência reguladora.
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