Finanças

Apostadores perdem US$ 10 milhões após Polymarket recusar prêmio sobre invasão da Venezuela

Operadores ficaram indignados com a plataforma Polymarket, após captura de Nicolás Maduro pelos EUA não ser considerada critério para determinar quem venceu a aposta

Agência O Globo - 07/01/2026
Apostadores perdem US$ 10 milhões após Polymarket recusar prêmio sobre invasão da Venezuela
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A decisão da plataforma de mercados de previsão Polymarket de não pagar os apostadores que investiram em uma possível invasão dos Estados Unidos à Venezuela gerou indignação entre os usuários. Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, a empresa alegou que a captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas não se enquadra nos critérios estabelecidos para caracterizar uma invasão.

Os mercados de previsão funcionam como plataformas onde pessoas negociam contratos baseados em resultados de eventos futuros incertos, como acontecimentos políticos, econômicos ou esportivos. Nessas plataformas, palpites se transformam em ativos negociáveis, e o preço desses contratos reflete a probabilidade coletiva de o evento ocorrer.

De acordo com o The Guardian, mais de US$ 10,5 milhões foram apostados em contratos sobre uma possível invasão dos EUA à Venezuela neste ano, sendo que a maioria tinha como prazo final o dia 31 de janeiro. Outros contratos tinham vencimento previsto para o fim de março e dezembro. Alguns apostadores investiram dezenas de milhares de dólares nessas apostas.

Antes da captura de Maduro pelas Forças Armadas dos EUA, ocorrida na manhã do último sábado, alguns operadores já haviam apostado antecipadamente em um movimento militar dos Estados Unidos. Normalmente, as apostas nesses mercados são binárias, envolvendo resultados de sim/não ou acima/abaixo, conforme destaca a reportagem.

O jornal relata que, na sexta-feira anterior ao evento, um operador anônimo apostou US$ 30.000 no Polymarket acreditando que Maduro estaria fora do poder até 31 de janeiro. Após o anúncio da captura, o operador chegou a visualizar um lucro potencial de US$ 436.759,61. No entanto, a plataforma esclareceu que a apreensão de Maduro não se qualificava como uma aposta vencedora, pois não atendia aos critérios de invasão definidos previamente.

Procurada pelo jornal, a Polymarket afirmou em seu site que o contrato em questão se refere especificamente a “operações militares dos EUA destinadas a estabelecer controle”. Além disso, destacou que a declaração do então presidente Donald Trump sobre 'administrar' a Venezuela e negociações em andamento com o governo venezuelano não seriam suficientes para caracterizar a missão de captura e extração de Maduro como uma invasão.

Um dos usuários, identificado como Skinner e citado pelo The Guardian, expressou sua insatisfação: “O Polymarket desceu à mais pura arbitrariedade. As palavras são redefinidas à vontade, desconectadas de qualquer significado reconhecido, e os fatos são simplesmente ignorados. Que uma incursão militar, o sequestro de um chefe de Estado e a tomada de um país não sejam classificados como uma invasão é claramente absurdo.”

O Polymarket obteve aprovação regulatória para operar nos EUA em 2025 e, apesar de ainda não possuir licença para atuar no Reino Unido, tornou-se uma das plataformas de previsão mais populares entre apostadores britânicos nos últimos meses.