Finanças
Lula e Haddad demonstram preocupação com atuação do TCU no caso Master
Presidente discute tema em ligações com ministros e assessores; Planalto teme instabilidade no mercado financeiro e impacto no câmbio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, têm manifestado, nos bastidores, preocupação com a atuação do Tribunal de Contas da União (TCU) no caso Master.
Há receio no governo de que uma eventual reversão da liquidação do banco cause tensão no mercado financeiro, o que poderia, por exemplo, elevar o preço do dólar.
Como a crise se agravou:
Da Restinga da Marambaia, no litoral do Rio de Janeiro, onde estava desde o dia 26, Lula tratou do assunto em telefonemas com ministros e assessores. Segundo um aliado, o presidente avalia que o TCU atua contra a própria imagem ao determinar uma inspeção no Banco Central para investigar os procedimentos relacionados à liquidação extrajudicial do Master.
Mesmo de férias, Haddad também manteve contatos para se inteirar do tema nos últimos dias e avaliar os riscos da decisão da corte. No Ministério da Fazenda, ainda existe o temor de que o Tesouro Nacional possa ser obrigado a arcar com algum prejuízo decorrente do episódio.
Master:
De acordo com integrantes do governo, Lula e Haddad vêm apoiando a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O caso teria, inclusive, promovido uma reaproximação entre a Fazenda e o Banco Central, após um período de tensão iniciado com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em maio.
Na segunda-feira, o ministro do TCU Jhonatan de Jesus determinou uma inspeção no Banco Central para analisar documentos referentes à liquidação do banco. O órgão de controle está em recesso, mas o ministro ressaltou que a ação deve ser realizada “com a máxima urgência” e indicou a possibilidade de reverter parte dos efeitos da liquidação.
Relator do caso Master no TCU, Jhonatan de Jesus destacou que não considera adequada uma medida cautelar (decisão provisória) antes da inspeção, mas não descartou a possibilidade de uma ação para manter ativos do banco, liquidado em novembro.
As regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) asseguram o pagamento de aplicações até R$ 250 mil em títulos garantidos pelo seguro mantido pelas instituições financeiras — a data do pagamento, contudo, ainda não foi informada. A venda dos ativos cobre prejuízos acima desse valor, papéis não cobertos e ressarce o próprio FGC.
A Polícia Federal (PF) investiga indícios de fraude em transações financeiras que somam R$ 12,2 bilhões entre o Master e o BRB, banco estatal do Distrito Federal, que só não adquiriu a instituição porque o negócio foi vetado pelo Banco Central.
A realização da inspeção já havia sido antecipada pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho. O objetivo, segundo ele, é verificar as provas documentais relacionadas aos fatos apresentados pela autoridade monetária em nota técnica anterior, em resposta aos questionamentos sobre a liquidação.
A representação do Ministério Público que deu origem ao processo questionava se houve demora do BC em liquidar a instituição, enquanto o tom dos questionamentos de Jhonatan de Jesus segue outra direção.
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