Finanças
Febraban identifica volume atípico de postagens e investiga possível ataque coordenado
Federação dos bancos defendeu atuação do Banco Central no caso Master e monitora redes sociais
A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) está analisando se o volume atípico de postagens em redes sociais registrado no final de dezembro configura um possível ataque coordenado à entidade, em meio ao noticiário sobre a liquidação do banco Master. No dia 27 de dezembro, a Febraban, juntamente com outras entidades do setor, divulgou uma nota pública defendendo a atuação do Banco Central no caso Master e ressaltando a importância de preservar a autoridade técnica do BC para evitar um "cenário gravoso de instabilidade".
"A Febraban está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico", informou a federação em nota oficial.
O documento divulgado pela Febraban contou com o apoio da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), da Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi) e da Zetta, entidade que representa empresas do setor financeiro e de meios de pagamento. Também endossaram a defesa do Banco Central a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) e a própria ABBC.
A publicação da nota ocorreu às vésperas de uma acareação marcada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), entre Daniel Vorcaro, controlador do Master, o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O diretor do BC, no entanto, foi dispensado da acareação e prestou apenas depoimento sobre o caso.
No texto, as entidades reconhecem que o "Poder Judiciário pode e deve analisar e sindicar os aspectos jurídico-legais da atuação dos reguladores", mas fazem um apelo para que seja preservada a autoridade técnica das decisões do Banco Central, a fim de evitar instabilidades no sistema financeiro.
A Febraban destacou ainda que realiza periodicamente, com apoio de empresas especializadas, o monitoramento de postagens em redes sociais relacionadas à sua atuação e ao setor bancário. Segundo a entidade, esses levantamentos são para consumo interno e não são divulgados publicamente.
"A Febraban esclarece que não realiza monitoramentos específicos sobre postagens de eventuais movimentos coordenados a qualquer outra instituição ou autoridade, incluindo o Banco Central e seus dirigentes", reforçou a federação em nota.
Nesta semana, em nova manifestação de apoio à independência do Banco Central, a Febraban e entidades que representam 757 instituições financeiras — entre bancos, meios de pagamento, cooperativas de crédito e empresas do mercado de capitais — divulgaram uma carta reafirmando a plena confiança nas decisões técnicas do BC, tanto na regulação quanto na fiscalização do sistema financeiro.
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