Finanças
Funeral simbólico marca fim da moeda de um centavo nos EUA com sátira e homenagem
Cerimônia bem-humorada reúne dezenas em Washington para celebrar o encerramento da produção do centavo americano
O que acontece quando uma moeda atravessa gerações, mas deixa de fazer sentido econômico? Nos Estados Unidos, a resposta foi um funeral bem-humorado para marcar o fim da produção do centavo, oficialmente interrompida pela Casa da Moeda em novembro.
Centenas de pessoas se reuniram no sábado (20), aos pés do Memorial Lincoln, em Washington, para homenagear a moeda de um centavo. Vestidos de preto, alguns com trajes inspirados na era vitoriana, os participantes acompanharam uma encenação solene, com trio de metais executando “Amazing Grace” e um caixão branco carregado por homens de cartola. O horário de início, 13h01, simbolizava um dado curioso: atualmente, produzir um centavo custa quase quatro centavos.
A decisão de encerrar a fabricação foi do Departamento do Tesouro, após solicitação do presidente Donald Trump, feita em fevereiro na rede Truth Social, onde classificou o gasto como “desperdício”. Segundo o Tesouro, o fim da produção deve gerar uma economia anual de cerca de US$ 56 milhões. Os últimos centavos — 232 conjuntos de três moedas — foram leiloados neste mês, arrecadando US$ 16,76 milhões.
Um funeral simbólico para uma decisão econômica
De acordo com o The Washington Post, o evento foi organizado pela Ramp, plataforma de gestão de despesas, e reuniu atores e comediantes de vários estados. Discursos satíricos deram voz a personagens históricos, como uma Mary Todd Lincoln ciumenta e um Thomas Jefferson preocupado com a possibilidade de o níquel ser o próximo alvo. Um funcionário da empresa, que afirmou ter parentesco distante com Abraham Lincoln, também discursou.
O ponto alto da cerimônia foi a entrada de um imitador de Lincoln, conhecido nas redes sociais como @honestbabelincoln. “Vocês todos são bonitos como um centavo”, brincou, arrancando aplausos antes de se despedir da moeda diante do memorial que leva o nome do ex-presidente.
Apesar do clima de despedida, o centavo ainda está longe de desaparecer do cotidiano. O Tesouro estima que cerca de 300 bilhões de unidades seguem em circulação — muitas esquecidas em cofres, sofás e porta-copos de carros. Para que a moeda deixe de ser aceita como meio legal de pagamento, seria necessário um ato do Congresso.
Na prática, a expectativa é que varejistas passem a arredondar preços para o múltiplo de cinco centavos mais próximo, como já ocorre no Canadá desde 2012. Especialistas afirmam que o impacto para os consumidores tende a ser neutro, com chances semelhantes de ganhar ou perder alguns centavos no caixa.
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