Finanças
Direção dos Correios comunica fim de acordo coletivo com trabalhadores
Em meio à crise financeira, estatal projeta gastos com pessoal de R$ 15 bilhões em 2024
A direção dos Correios informou aos representantes dos trabalhadores, em reunião realizada nesta terça-feira, que não irá renovar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo integrantes da estatal, o cenário financeiro da empresa impede qualquer aumento de despesa, incluindo reajustes de benefícios, fora do plano de reestruturação em elaboração.
O acordo anterior, firmado pela antiga gestão dos Correios e dirigentes sindicais, expirou em agosto e foi prorrogado até 15 de dezembro deste ano. Sem a renovação, trabalhadores perdem direitos como vale-natal, reposição salarial e benefícios como cesta básica e vale-alimentação corrigidos pela inflação, além da gratificação de 70% das férias e a incorporação do anuênio de 1% na remuneração.
De acordo com Marcos Sant'aguida, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio (Sintect-RJ), sem o acordo coletivo, o adicional de férias retorna ao patamar de um terço, conforme estabelece a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
— Sem a reedição do acordo, o valor dos benefícios ficará a critério da empresa. Nós temos dois caminhos: realizar paralisações e recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) — afirmou o sindicalista.
As despesas com pessoal representam um dos principais desafios dos Correios. A empresa prevê encerrar 2025 com R$ 22,9 bilhões em despesas correntes, segundo dados de execução orçamentária. A maior parte desse valor está relacionada a gastos com pessoal, estimados em R$ 15,1 bilhões neste ano.
O projeto de reestruturação, que inclui cortes de gastos e um plano de demissão voluntária (PDV), é uma exigência do Tesouro Nacional para um possível aporte emergencial. Os Correios ainda não avançaram nas negociações para obter um empréstimo de R$ 20 bilhões junto a bancos.
Na última rodada de negociações, bancos como Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil, Banco do Brasil e Safra propuseram juros de 136% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), referência para empréstimos interbancários. O Tesouro recusou a proposta, pois o percentual supera o padrão de 120% praticado em operações com aval da União.
Diante do impasse, a empresa negocia um aporte do Tesouro como solução temporária até a conclusão de um empréstimo com os bancos. A Caixa Econômica Federal foi acionada pelo governo para participar das tratativas.
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