Finanças
Bolsa Família: 70% dos adolescentes deixaram o programa em dez anos
Aumento da escolaridade e acompanhamento em saúde foram fundamentais para isso, segundo ministro Wellington Dias
Sete em cada dez adolescentes que tinham entre 15 e 17 anos em 2014 e viviam em lares beneficiados pelo Bolsa Família deixaram de depender do programa ao atingirem entre 20 e 25 anos. O dado faz parte do estudo “Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa”, divulgado nesta sexta-feira (5) pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Para o ministro Wellington Dias, a superação do ciclo de pobreza está diretamente ligada às condicionalidades em saúde e educação exigidas pelo programa.
— As gerações de filhos e filhas de pais que dependiam do Bolsa Família estão saindo da pobreza. Principalmente por conta dos estudos. A condicionalidade na transferência de renda no Bolsa Família relacionada à educação — destacou o ministro.
O estudo aponta que a transformação na vida dos chamados “filhos do Bolsa Família” é mais significativa quando a proteção de renda se soma à educação, aos serviços públicos e às oportunidades locais. As maiores taxas de saída do programa ocorrem em áreas urbanas, em domicílios com melhor infraestrutura, entre jovens cujos pais possuem emprego formal e em famílias com maior escolaridade. Ainda assim, mesmo em contextos de maior vulnerabilidade, mais da metade dos jovens conseguiu romper a dependência do benefício.
Em média, independentemente da idade, 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025. Entre os adolescentes, o índice é ainda maior: 68,8% na faixa de 11 a 14 anos e 71,25% entre 15 e 17 anos.
Quase 30% têm carteira assinada
A pesquisa revelou que 52,67% dos jovens de 15 a 17 anos que recebiam o Bolsa Família em 2014 também deixaram o Cadastro Único, que abrange faixas de renda superiores às do programa. Desses, 28,4% possuem emprego com carteira assinada em 2025. Entre os jovens de 11 a 14 anos, 46,95% saíram do CadÚnico e 19,10% têm vínculo formal atualmente.
— Ao contrário do preconceito difundido, de que o Bolsa Família desestimula o emprego, temos evidências científicas de que o programa estimula o trabalho e a superação da pobreza — ressaltou Dias.
Segundo o ministro, os resultados apresentados projetam uma tendência de continuidade: a próxima década deve aprofundar os avanços em autonomia, trabalho e redução sustentável da pobreza no país.
Dois mecanismos recentes do Governo Federal têm papel decisivo nesse processo. A Regra de Proteção permite a manutenção parcial do Bolsa Família mesmo com aumento da renda per capita, como na conquista de um emprego formal. Durante 12 meses, famílias que ultrapassam o limite de renda de R$ 218 por pessoa continuam recebendo 50% do valor do benefício, desde que a renda não ultrapasse R$ 706 por pessoa.
Já o Programa Acredita oferece qualificação profissional, apoio à inserção no mercado de trabalho e incentivo ao empreendedorismo para famílias de baixa renda do CadÚnico. A iniciativa inclui acesso a crédito com juros baixos e orientação especializada, contemplando pessoas de 16 a 65 anos com cadastro atualizado, com atenção especial a mulheres, jovens, pessoas com deficiência, populações negras e comunidades tradicionais.
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