Finanças
Governo lança ferramenta de autoexclusão para apostas online; serviço começa em 10 de dezembro
Empresas já oferecem autoexclusão, mas governo cria registro único para ampliar proteção ao apostador
O Ministério da Fazenda anunciou nesta quarta-feira (5) o lançamento da plataforma nacional de autoexclusão para apostas online. A ferramenta permitirá que qualquer cidadão bloqueie voluntariamente o próprio acesso a sites de apostas e deixe de receber publicidade do setor por um período determinado. O serviço estará disponível ao público a partir de 10 de dezembro.
Atualmente, as empresas do setor já são obrigadas a oferecer mecanismos de autoexclusão, mas, segundo o secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena, a medida não era suficiente. A nova ferramenta cria um registro único, vinculado ao login gov.br, que será automaticamente validado para todas as casas autorizadas a operar no país.
Como vai funcionar?
De acordo com o Ministério da Fazenda, a solução integra o pacote de "jogo responsável" previsto pela regulação das apostas, cuja vigência começa em janeiro de 2025. O processo de autoexclusão seguirá os seguintes passos:
- Acesso com login gov.br nível prata ou ouro;
- Escolha do período de bloqueio (um, três, seis ou 12 meses, ou por tempo indeterminado);
- Seleção do motivo;
- Confirmação eletrônica.
Durante o período escolhido, o cidadão não poderá abrir contas, depositar, apostar ou receber publicidade segmentada de operadoras legais. A medida também complementa uma ferramenta já existente que impede apostas de beneficiários do Bolsa Família e do BPC, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Acordo com Ministério da Saúde
O anúncio ocorre no contexto de um acordo de cooperação técnica firmado entre o Ministério da Fazenda e o Ministério da Saúde, com duração de cinco anos. O objetivo é integrar políticas para prevenir transtornos relacionados ao jogo, fortalecer a assistência na rede pública e compartilhar dados para monitorar grupos vulneráveis.
A plataforma de autoexclusão é um dos eixos desse plano integrado, que também inclui:
- Criação do Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas;
- Oferta de teleatendimento para pessoas com problemas de jogo, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês (a partir de 2026);
- Capacitação de equipes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS);
- Lançamento de autoteste de saúde mental, disponível em canais como WhatsApp, OuvSUS (136) e o app Meu SUS Digital.
Dados do governo mostram que os atendimentos por transtorno do jogo no SUS aumentaram: foram 2.262 em 2023, 3.490 em 2024 e 1.951 apenas no primeiro semestre de 2025.
Regulação em andamento
Dudena destacou que o governo já finalizou, até julho de 2024, nove portarias que estruturam a regulação do setor, com regras para meios de pagamento, combate à lavagem de dinheiro, limites de publicidade, autorização de empresas e fiscalização.
Entre as medidas já em vigor estão:
- Proibição do uso de cartão de crédito para apostas;
- Exigência de cadastro com CPF e reconhecimento facial;
- Obrigação de uso do domínio .bet.br pelas empresas autorizadas;
- Monitoramento de campanhas publicitárias, em parceria com o Conar;
- Ações com a Anatel para derrubada de sites ilegais.
O Ministério da Fazenda também informou que mantém 13 acordos de cooperação com entidades públicas e privadas, incluindo Febraban, Anatel, organizações de integridade esportiva e setor financeiro, para reforçar a fiscalização e a proteção aos consumidores.
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