Finanças
Lula discute com Trump combate à lavagem de dinheiro via Delaware
Na véspera, chefe da Receita Federal detalhou esquema para presidente brasileiro e ministros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou, em ligação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na tarde desta terça-feira (2), o uso do estado americano de Delaware para lavagem de dinheiro oriundo de fraudes tributárias no Brasil.
No dia anterior à conversa, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, apresentou a Lula e a ministros, em reunião no Palácio do Planalto, detalhes das investigações sobre o esquema. Segundo o órgão, o Grupo Refit teria movimentado R$ 72 bilhões em um ano, ocultando lucros por meio de offshores em Delaware, considerado um paraíso fiscal.
Após a apresentação, Lula solicitou que o material fosse traduzido para o inglês, a fim de utilizá-lo no diálogo com Trump. Participaram da reunião os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Ricardo Lewandowski (Justiça), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Comunicação Social), Rui Costa (Casa Civil) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
Em 27 de junho, data em que a Polícia Federal deflagrou a operação Poço de Lobato contra fraudes atribuídas ao Grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos (RJ), o ministro Haddad já havia alertado sobre o uso de empresas em Delaware.
“Queremos pautar com os Estados Unidos conversas sobre crime organizado. Estão abrindo empresas em Delaware. Fazem um empréstimo para fundos, que, pela suspeita da Receita, jamais serão pagos e esse dinheiro volta em forma de aplicação no Brasil, como se fosse um investimento estrangeiro direto”, afirmou Haddad na ocasião.
O ministro classificou o esquema como uma “triangulação internacional gravíssima” e revelou que a última operação identificada simulava um investimento estrangeiro de R$ 1,2 bilhão.
“Não sabemos quantos fundos são. É importante ter colaboração internacional”, reforçou Haddad.
Após tomar conhecimento das declarações do ministro, Lula solicitou a elaboração da apresentação detalhada das fraudes. Em nota divulgada nesta terça-feira, após a conversa com Trump, o governo brasileiro destacou: “O presidente Lula igualmente ressaltou a urgência em reforçar a cooperação com os EUA para combater o crime organizado internacional. Destacou as recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal com vistas a asfixiar financeiramente o crime organizado e identificou ramificações que operam a partir do exterior. O presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas.”
A Operação Poço de Lobato revelou um esquema de sonegação fiscal que, segundo o governo de São Paulo, chegava a R$ 350 milhões por mês, envolvendo importadoras, distribuidoras, formuladoras, postos, fundos de investimento e empresas de fachada no Brasil e no exterior.
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