Finanças
Operador do 'mensalão', Marcos Valério é alvo de nova operação do MP por sonegação de mais de R$ 215 milhões
Ação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais cumpre mandados em empresas e residências na Região Metropolitana de BH e no Centro-Oeste mineiro
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal como operador do escândalo do mensalão no primeiro governo Lula, o publicitário Marcos Valério volta ao centro das investigações nesta terça-feira (4), ao se tornar alvo de uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais (Cira-MG). A ação apura um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que teria movimentado milhões de reais por meio de empresas do setor atacadista e redes de supermercados no estado.
De acordo com as investigações, o grupo alvo da Operação Ambiente 186 teria deixado de recolher mais de R$ 215 milhões em ICMS, causando um prejuízo expressivo aos cofres públicos mineiros.
Segundo o Ministério Público, a operação foi motivada pela identificação de um esquema estruturado para fraudar o pagamento do imposto. Empresários e funcionários de empresas do varejo e do atacado são investigados por organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Investigação
As apurações, conduzidas ao longo de 18 meses, apontam que o grupo criou empresas de fachada para simular compras e vendas de mercadorias. Também teriam adulterado informações fiscais para simular operações interestaduais, estratégia que permitia pagar menos ICMS ou simplesmente não recolher o tributo devido.
As fraudes envolveriam tanto o ICMS próprio quanto o ICMS por substituição tributária (ICMS-ST), recolhimento antecipado obrigatório para determinados setores.
Segundo as autoridades, a sonegação gerava uma redução artificial de custos, permitindo às empresas envolvidas vender produtos a preços inferiores aos praticados por concorrentes que cumprem suas obrigações fiscais. A diferença era revertida em lucro e posteriormente "lavada" por meio da compra de veículos de luxo, aquisições em nome de terceiros e movimentações empresariais.
Mandados de busca e apreensão
Na operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Região Metropolitana de Belo Horizonte e no Centro-Oeste de Minas. Equipes vasculharam sedes de empresas e residências de empresários e funcionários. Celulares, computadores, mídias digitais, documentos e veículos de alto padrão foram apreendidos. A Justiça determinou ainda a indisponibilidade de R$ 476 mil em bens para impedir que os investigados se desfizessem do patrimônio.
A ação mobilizou uma força-tarefa de grande porte: participaram seis promotores de Justiça, três delegados da Polícia Civil, 58 auditores da Receita Estadual, dois auditores da Receita Federal, 65 policiais militares, 54 policiais civis, nove bombeiros militares e 15 servidores do Ministério Público.
Criado em 2007, o Cira-MG é referência nacional no combate à sonegação e na recuperação de ativos. O comitê, formado por Ministério Público, Receita Estadual, Advocacia-Geral do Estado, Polícia Civil e Polícia Militar, já contribuiu para recuperar mais de R$ 16 bilhões aos cofres mineiros.
Mais lidas
-
1TRABALHO
Calendário de 2026 concentra feriados em dias úteis e amplia impacto sobre a gestão do trabalho
-
2SERVIÇO
IPVA 2026 RJ: confira o calendário de vencimentos por final de placa
-
3EDUCAÇÃO E VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL
Proposta reduz jornada de professores da educação básica para 30 horas semanais
-
4LUTO NO SERTÃO
Ex-vice-prefeito Édson Magalhães morre atropelado em Santana do Ipanema; liderança marcou os últimos 20 anos na região
-
5TRIBUTOS
IPVA 2026: Primeira parcela ou cota única começa a vencer nesta quarta-feira; confira como pagar