Finanças
Renda de pessoas negras cresce no Rio, mas segue muito abaixo da dos brancos, revela estudo
Em relação ao cenário nacional, o estudo indica que a renda da população negra no Rio é 27,7% maior do que a média registrada para esse grupo em todo o país
A renda domiciliar per capita das pessoas negras no município do Rio de Janeiro cresceu 17,2% entre 2021 e 2024, alcançando R$ 2.300, segundo estudo da prefeitura. Apesar desse avanço, o valor ainda é 85,8% menor que o registrado entre os brancos, cuja renda aumentou 10,5% no mesmo período, atingindo a média de R$ 4.400.
O levantamento revela ainda que, em comparação ao cenário nacional, a renda da população negra no Rio é 27,7% superior à média desse grupo em todo o país, atualmente em R$ 1.800.
Entre 2021 e 2024, 356.100 pessoas negras ingressaram na população ocupada da cidade, totalizando 1,6 milhão de trabalhadores — um crescimento de 27,2% no número de ocupados.
No mesmo período, o desemprego entre a população negra caiu 45,2%, enquanto entre os brancos a redução foi de 41%. Ao todo, 133.900 negros deixaram a condição de desemprego. Atualmente, a taxa de desocupação é de 8,9% entre negros e 7,1% entre brancos.
O estudo foi elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e pelo Instituto Fundação João Goulart, em parceria com as secretarias de Coordenação Governamental, Direitos Humanos e Igualdade Racial, e com apoio da Riotur.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, os resultados refletem o impacto das políticas públicas voltadas para inclusão e geração de oportunidades:
— Esses dados mostram que estamos no caminho certo. A redução da desigualdade não acontece por acaso, é fruto de planejamento, investimento e compromisso com a equidade racial.
Perfil da população negra carioca
A maioria da população carioca é negra: 54,3% se autodeclaram pretas ou pardas, conforme o Censo de 2022. Esse grupo soma 3,4 milhões de pessoas, sendo 71,3% pardas (2,4 milhões) e 28,7% pretas (1 milhão).
Embora a proporção de negros no Brasil seja ligeiramente maior (55,5%), o Rio tem uma fatia mais elevada de pessoas que se autodeclaram pretas: 15,6%, contra 10,2% da média nacional.
O levantamento aponta ainda que essa população é majoritariamente feminina (52,4%) e mais jovem: 39,7% têm até 29 anos, enquanto idosos negros representam 16,6%.
Quanto à escolaridade, com base na Pnad Contínua do IBGE (2024), 18,6% dos negros cariocas com 25 anos ou mais têm ensino fundamental incompleto; 12,6% concluíram o fundamental; 43,3% possuem ensino médio completo; e 25,5% têm ensino superior completo — mais que o dobro da média nacional para negros (13,6%).
Apesar dos avanços, a desigualdade persiste: entre os brancos da capital, 49,2% possuem diploma universitário.
— É essencial continuar investindo em políticas que promovam oportunidades, especialmente para a população negra, que enfrentou desafios significativos. Reduzir a desigualdade é fundamental para construirmos uma sociedade mais justa e igualitária — afirmou Edson Menezes, secretário municipal de Coordenação Governamental.
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