Finanças
Diretores do Banco Central se reúnem com BRB após liquidação do Master
Procurador-geral do BC também se encontrou com juiz responsável pela operação da PF que prendeu Vorcaro e afastou presidente do banco público
Um dia após a liquidação do Banco Master, representantes do BRB se reuniram nesta quarta-feira com diretores do Banco Central. O encontro ocorreu em meio à repercussão da operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito entre o Master e o banco controlado pelo governo do Distrito Federal.
A ação resultou na prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, de dirigentes do banco privado, e no afastamento do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, além do diretor financeiro, Dario Garcia Junior. No mesmo dia, o BC determinou a liquidação do Master.
Participaram da reunião os diretores de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, Renato Gomes, além do chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana. Pelo BRB, estiveram presentes o presidente do Conselho de Administração, Marcelo Talarico, o conselheiro Luis Fernando de Lara Resende e o diretor jurídico, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Houve ainda um encontro entre o procurador-geral do BC, Cristiano Cozer, e o juiz Ricardo Leite, responsável por autorizar a operação da Polícia Federal.
Segundo documentos internos da área de Supervisão do Banco Central, o BRB precisou realizar “registros contábeis sem respaldo documental” para se adequar às normas do setor financeiro, após a compra de carteiras de crédito do Master.
Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB transferiu ao grupo Master o equivalente a R$ 16,7 bilhões, conforme apontam os investigadores.
A área técnica do BC destacou que o “elevado apetite por aquisições” trouxe impactos operacionais à estatal, incluindo o desenquadramento do índice de Basileia no início deste ano. Outros requisitos de capital também ficaram próximos ao limite mínimo, principalmente devido à aquisição dos ativos do Master.
“Para não desenquadrar, o BRB realizou registros contábeis sem respaldo documental, baseando-se em contrato de venda da participação societária da BRB Financeira, celebrado apenas em março de 2025”, diz um dos documentos do BC.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o BRB afirmou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master”.
A assessoria de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master detido na noite de segunda-feira em Guarulhos, informou que ele tinha voo programado para Dubai, onde se encontraria com os compradores da instituição. “No mesmo dia, advogados, por ele e pelo Banco Master, colocaram-se, como já haviam feito antes, à disposição para cooperar com as autoridades, prover informações e participar de audiências, inclusive com a presença de Vorcaro”.
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