Finanças
Nova operação combate descontos indevidos em benefícios do INSS
Mandados de prisão, busca e apreensão são cumpridos em 14 estados e no Distrito Federal
Nesta quinta-feira (13), a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga desvios em aposentadorias e pensões do INSS sem autorização dos segurados. Os valores eram destinados a associações, confederações e sindicatos.
Estão sendo cumpridos dez mandados de prisão preventiva, 63 de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares em 14 estados e no Distrito Federal.
De acordo com a PF, são investigados crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de ocultação e dilapidação patrimonial.
A última fase da operação ocorreu em outubro, quando foram apreendidos carros de luxo, dinheiro em espécie e uma arma.
Primeira fase
A primeira etapa da Operação Sem Desconto foi realizada em abril de 2025. Na ocasião, PF e CGU identificaram que sindicatos e associações de aposentados realizavam descontos não autorizados nos contracheques de beneficiários, totalizando R$ 6,3 bilhões. A cúpula do INSS foi afastada sob suspeita de envolvimento no esquema.
As entidades alegavam oferecer serviços como planos de saúde, academia e assistência jurídica. No entanto, segundo a CGU, não possuíam estrutura real para cumprir o que prometiam. Muitos aposentados só descobriram os descontos ao consultar os extratos de benefício.
Em setembro, a PF prendeu os empresários Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Maurício Camisotti, apontados como principais operadores financeiros do esquema.
Na mesma ocasião, as buscas também atingiram o advogado Nelson Willians, suspeito de intermediar transações com uma das associações investigadas. Foram apreendidas armas, réplicas de carros de Fórmula 1, relógios suíços de luxo e obras de arte durante a operação.
Figura central
O “Careca do INSS” é apontado como peça-chave da rede de corrupção infiltrada no sistema previdenciário. Segundo as investigações, ele coordenava empresas que atuavam como intermediárias financeiras entre associações e servidores públicos. Parte dos recursos desviados era destinada a funcionários do INSS responsáveis por autorizar convênios e validar descontos nos benefícios.
Antunes, Willians e Camisotti negam todas as irregularidades. O caso resultou na instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI) no Congresso para investigar o impacto do esquema.
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