Finanças
Dólar global e política ditam o ritmo do mercado
Investidores nacionais e fundos multimercados têm foco no curto prazo
Dois fatores dominam o radar dos investidores daqui para o fim do próximo ano: a trajetória do frente às moedas globais e a corrida presidencial. Qual deles vai realmente comandar os mercados?
Dólar
BC do país vizinho e Tesouro dos EUA intervêm no mercado
Na Malásia:
João Braga, fundador da Encore Capital, acha que algumas mudanças estruturais ocorridas nos últimos anos estão fazendo os mercados colocarem o foco cada vez mais no curto prazo. E isso, na situação atual, tem dado protagonismo ao global para mexer nos preços de ativos brasileiros.
— Diria que, disparado, o que mais tem feito preço na última semana não é o Tarcísio, não é o — afirma ele, referindo-se à disputa eleitoral do ano que vem, que muitos acreditam que poderá se afunilar entre o governador de São Paulo, , e o presidente Luiz Inácio da Silva. — É só o — afirma Braga, referindo-se à tendência da moeda americana para cima ou para baixo, de acordo com as notícias sobre a economia americana e de outros países com moeda de reserva.
Mercado financeiro
Bolsas de países emergentes já subiram 28% este ano, maior alta em 15 anos. Otimismo vai continuar?
E ele acrescenta:
— O estrangeiro é tão grande em relação ao nosso mercado que faz preço para cima e para baixo.
Uma das “placas tectônicas” que movimentaram o mercado recentemente foi o aumento da presença dos fundos quantitativos — que usam modelos matemáticos, estatísticos e algoritmos computacionais para tomar decisões de compra e venda no mercado, em vez de depender da intuição ou do julgamento humano direto.
Real valorizando
Na situação atual, afirma Braga, a cotação do em nível global tem um papel muito importante nas decisões de investimento desses fundos quantitativos:
— E esses fundos estão derrubando a Bolsa agora por um motivo só, uma variável só, que é , forte ou fraco.
Bets, fintechs e cortes:
O investidor nacional, argumenta, também está com foco maior no curto prazo. Os fundos multimercados, que tiveram uma onda de saques devido à concorrência de papéis com incentivos tributários, são avaliados pelo desempenho diário e não podem se dar ao luxo de novas perdas de cotistas.
— Todo mundo vira curto-prazista — afirma ele.
E o grupo de investidores que investe de olho no retorno das ações no longo prazo — o chamado value investing — também perdeu relevância relativa no mercado, devido a maior presença de investidores estrangeiros e fundos multimercado.
Nova fronteira:
— Ficou muito pequeno em relação a quem investe na Bolsa — diz.
De fato, é possível perceber uma correlação do mercado brasileiro com o valor do global. Como tendência geral, a moeda americana vem perdendo valor em relação às demais moedas fortes do mundo. O real se valorizou, a Bolsa subiu — tudo isso apesar da fragilidade fiscal no Brasil e da perspectiva de desaceleração no crescimento, com a Selic nas alturas.
Mas, há duas semanas, houve uma reversão na tendência de desvalorização do . Foi temporária, mas interessante para analisar a dinâmica dos mercados. O ganhou força em virtude de incertezas sobre como as lideranças políticas da França e do Japão vão equacionar os seus problemas fiscais. O real se desvalorizou, e houve uma corrida de investidores estrangeiros para encerrar posições no Brasil também na Bolsa e no mercado de juros.
Quando o ambiente no exterior não é tão favorável, os investidores passam a focar mais nos temas domésticos.
— Aqui no Brasil, o grande tema já começa a ser a eleição — afirma o CEO da BGC Liquidez, Erminio Lucci. — E a gente vem acompanhando que, no fim do mês passado e no início deste mês, a popularidade do presidente vem crescendo.
Para antecipar os ventos, é bom saber o que pensa a média do mercado sobre as eleições — o economista John Maynard Keynes dizia que o mercado se assemelha a um concurso de beleza, no qual o investidor não escolhe pela própria opinião, mas de acordo com o que os outros vão achar mais bonito.
Efeito oposição
No evento, o diretor de investimentos da Guepardo Investimentos, Octávio Magalhães, disse e repetiu uma leitura que está se tornando predominante no mercado: se um candidato de direita ganhar as eleições, será melhor para a economia e para os preços de ativos.
— Um governo de oposição, independentemente de qual candidato vença, é um governo que vai agir rapidamente — afirma. — Na cabeça do , um (novo) governo do PT primeiro tromba na parede para depois resolver.
Segundo essa visão, na hipótese de um novo governo , haveria limites maiores do que no atual. Primeiro, porque os mercados exerceriam uma espécie de ação disciplinadora, com alta de juros e de câmbio, forçando os rumos da política econômica. Depois, segundo Magalhães, isso ocorreria também porque o Congresso teria mais membros de direita, limitando a ação de .
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