Esportes
‘Não dá para falar em paixão nacional só valorizando o masculino’, diz secretária da Copa
Juliana Agatte defende a inclusão do futebol feminino nas discussões sobre o legado esportivo.
A Copa Feminina movimentará o Brasil, e as discussões sobre sua relevância para o esporte nacional já estão em andamento. A Secretária Extraordinária para a Copa Feminina, Juliana Agatte, defendeu que o torneio pode promover importantes impactos no turismo, visto que será sediado no "país do futebol". Contudo, criticou o fato de que essa paixão não abrange o futebol feminino.
O painel Copa do Mundo Feminina FIFA 2027, presente na programação do "Summit Mulheres nas Profissões" e mediado pela jornalista Anne Lottermann, reuniu representantes de entidades do esporte e a ex-jogadora Formiga para discutir o legado que o torneio trará para os brasileiros.
Juliana afirmou: "Tudo que a gente pode trazer do turismo internacional para consumir o futebol em um território que é paixão nacional. No entanto, essa paixão nacional hoje tem um teto, porque não dá para falar em paixão nacional sem valorizar também o futebol feminino. Ao falarmos da Copa do Mundo de Futebol Feminino, rompemos uma bolha e avançamos em um tempo que é, ao mesmo tempo, de resistência e legado".
Relevância Estadual
A Diretora Executiva de Futebol Feminino da Federação Paulista de Futebol, Kin Saito, reconheceu a importância de conhecer o passado e a história da modalidade no Brasil para projetar o futuro.
Kin destacou: "Aline Pellegrino sempre diz que o efeito da proibição nos fez não nos enxergarmos em nenhuma função dentro do futebol. Não queriam a gente em campo e dificultavam nossa possibilidade de sermos treinadoras, árbitras, narradoras ou gestoras". O Campeonato Paulista, que é o torneio feminino mais tradicional do Brasil, representa uma conquista que começou no passado e agora serve de exemplo para outras regiões do país.
"O desenvolvimento de competições começou em 1987. Se você tem competições, o clube, que faz o trabalho diário para revelar atletas como a Formiga, precisa ter o que jogar. Assim, ao dispor de competições, você pode garantir que aquele espaço traga frutos, e o Brasil é um país repleto de talentos", afirmou.
Ainda de acordo com Kin, após uma década de trabalho no departamento de futebol feminino da federação, é possível constatar que hoje há mais meninas jogando nas categorias de base do que mulheres na categoria adulta.
Copa de Gerações
A ex-jogadora Formiga pontuou a importância de criar cursos e formações que ajudem as ex-atletas a fomentar o esporte em suas cidades, melhorando a situação que elas enfrentaram em suas carreiras. "Precisamos que ex-atletas ingressem, e que em cada Estado tenha uma atleta pioneira disposta a fomentar o futebol feminino e que precise desses cursos. Precisamos expandir e incentivar, porque é fundamental passar o bastão à nova geração".
Em entrevista ao Estadão, Formiga disse se sentir parte do processo mesmo fora dos gramados. Com bom humor, a nova diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte brincou, afirmando que ainda espera ver seu nome na lista do técnico Arthur Elias e que jogaria "fácil" o Mundial.
"Estou muito feliz de fazer parte desse processo. Um sonho distante que hoje se tornou realidade. Não sei onde estarei, mas não se pode dizer que a Formiga não faz parte dessa história, muito pelo contrário", destacou.
Formiga também enfatizou a importância do respeito entre as gerações para promover o esporte no país: "É necessário respeito pela história construída lá atrás, para que quem está jogando hoje tenha o privilégio de atuar em casa. Esse respeito deve ser destinado a todas as mulheres que contribuíram no futebol, dentro e fora de campo, pois a luta continua. Não é apenas porque estamos prestes a sediar grandes eventos do futebol feminino que tudo está resolvido; que seja para sempre, e que essa geração entenda que a história que se constrói hoje será sempre lembrada".
A coordenadora de Seleções Femininas da CBF, Cristiane Gambaré, expressou que é uma honra para o país sediar e planejar esse torneio. "É com gratidão que estamos sediando a Copa do Mundo no Brasil. Encaramos isso como uma motivação e uma obrigação dentro do nosso planejamento", comentou a coordenadora durante o painel.
Além disso, Gambaré destacou o impacto do torneio nas categorias de base: "A movimentação nas categorias de base, que enfrenta menos apelo e produtividade nas competições de futebol feminino, a Copa do Mundo vem para alavancar e aumentar o interesse de cada estado, federações e clubes. É um movimento positivo que devemos implementar cuidadosamente para que tenha duração a longo prazo e resulte em muitos frutos, até mesmo abastecendo a seleção".
Sobre o evento
Realizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, o Summit Mulheres nas Profissões acontece entre os dias 04 e 05 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, reunindo profissionais de diversas áreas e atuando como um ponto de encontro para discussões sobre desenvolvimento de carreira, liderança feminina, empreendedorismo, inovação e o futuro do trabalho.
Detalhes sobre a programação e ingressos podem ser consultados no site oficial do evento summitmulheresprofissoes.com.br.
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