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Terceira galáxia sem matéria escura reforça anomalia e intriga astrônomos
DF9 se junta a DF2 e DF4 em uma cadeia de galáxias que desafia modelos sobre a formação de estruturas no Universo.
As galáxias DF2, DF4 e, agora, DF9 desafiam o modelo cosmológico ao apresentarem movimentos que podem ser explicados sem a presença de matéria escura. O trio sugere que um evento extremo pode ter separado matéria comum e matéria escura, formando uma rara cadeia de galáxias quase “transparentes” à gravidade invisível.
A galáxia NGC 1052-DF9, localizada a 67 milhões de anos-luz da Terra, tornou-se o mais novo e intrigante exemplo de um fenômeno raro: sistemas cujos movimentos dispensam, ao menos nas medições atuais, a presença significativa de matéria escura. Ela se junta às galáxias DF2 e DF4, formando um trio improvável em um Universo no qual quase todas as estruturas conhecidas dependem dessa substância invisível para existir.
As três galáxias pertencem à mesma cadeia linear, alinhadas como “diamantes em um colar”, segundo os pesquisadores. A descoberta reforça previsões anteriores de que, caso DF2 e DF4 fossem realmente anômalas, outras galáxias ao longo da mesma trilha poderiam apresentar a mesma ausência de matéria escura — hipótese agora fortalecida pela identificação da DF9.
Para os astrônomos, o achado oferece uma oportunidade rara de investigar como essas galáxias se formaram. Michael Keim, da Universidade de Yale, afirmou a um portal especializado que DF2, DF4 e DF9 representam “exceções extraordinárias” em um cosmos dominado por matéria escura. Segundo ele, as evidências apontam para um evento violento comum, capaz de separar a matéria comum da matéria escura durante a formação desses sistemas.
A matéria escura, embora invisível, é considerada essencial para explicar a gravidade observada no Universo. Mesmo somando toda a matéria bariônica — estrelas, planetas, gás, poeira e buracos negros — ainda falta massa para justificar a força gravitacional que mantém as galáxias coesas. Por isso, os modelos cosmológicos dependem de halos de matéria escura como estruturas fundamentais na formação galáctica.
A surpresa começou em 2018, quando Pieter van Dokkum identificou a DF2 com muito menos matéria escura do que o esperado. Em 2019, a DF4 reforçou a anomalia. Em 2022, ambas foram reconhecidas como parte de uma cadeia compacta de galáxias. Já em 2025, estudos indicaram que todas se moviam de forma semelhante, um sinal de possível origem compartilhada. Com tamanho, brilho e aglomerados estelares parecidos, a DF9 tornou-se o alvo natural para testar essa hipótese.
A explicação mais promissora envolve um cenário chamado “colisão de anãs-bala”. Nesse tipo de encontro frontal entre duas galáxias anãs, estrelas e halos de matéria escura atravessariam uns aos outros, enquanto o gás, por colidir e desacelerar, ficaria para trás. Essa região rica em matéria comum, mas pobre em matéria escura, poderia então formar novas estrelas e pequenas galáxias desprovidas de halos escuros, conforme sugerem as simulações.
Para os cientistas, a existência de uma linha inteira de galáxias sem matéria escura é um resultado fascinante, capaz de impor limites a teorias sobre a natureza dessa substância misteriosa. Van Dokkum afirmou que a descoberta reforça a ideia de que a matéria escura se comporta como uma entidade física real, e não apenas como efeito de teorias alternativas da gravidade, especialmente na escala das galáxias anãs, onde o debate é mais intenso.
Por Sputnik Brasil
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