Esportes

Jogadoras do Afeganistão celebram decisão que autoriza seleção a disputar competições da Fifa

Seleção feminina afegã recebe aval histórico da Fifa para participar de torneios oficiais, superando barreiras impostas pelo Talibã.

30/04/2026
Jogadoras do Afeganistão celebram decisão que autoriza seleção a disputar competições da Fifa
Jogadoras do Afeganistão celebram decisão que autoriza seleção a disputar competições da Fifa

Pela primeira vez na história, a seleção feminina do Afeganistão poderá representar oficialmente o país em competições reconhecidas pela Fifa. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira durante o Congresso da entidade, realizado em Vancouver, no Canadá. As jogadoras receberam a notícia por meio de uma videochamada com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e comemoraram a conquista inédita.

Com a autorização, as atletas passam a defender as cores do Afeganistão em caráter oficial, deixando de atuar como uma seleção de refugiadas e sem a necessidade de aprovação do Talibã, regime que proíbe a participação de mulheres no esporte dentro do país.

"Vocês me dão a força e a energia para acreditar nesta empreitada, neste projeto, para superar todos os obstáculos que existiram e que ainda existirão. Não importa, juntos podemos alcançar qualquer resultado. Isto é histórico, isto é lindo, isto é fantástico para todas vocês, e estou muito orgulhoso de vocês", declarou Infantino em mensagem às jogadoras afegãs.

Khalida Popal, ex-capitã da seleção e uma das principais vozes na luta pelo reconhecimento internacional da equipe, destacou a importância do momento: "Perder a identidade é muito difícil. É como se você não pertencesse a lugar nenhum. Recuperar nossa identidade é a coisa mais poderosa que podemos fazer, porque não estamos pensando apenas em nós mesmas: é por todas as meninas que sonharam e que ainda sonham", ressaltou Popal, emocionada ao acompanhar o anúncio online.

Ela reforçou o impacto da decisão: "Este reconhecimento nos dá a plataforma e o poder de sermos a voz de nossas irmãs que perderam seus direitos e suas vozes. Queremos transmitir às meninas e mulheres do Afeganistão a mensagem de que não devem desistir. Sabemos o quão difícil é a situação, mas queremos dizer a elas que estamos aqui por vocês. Nós as ouvimos e seremos a voz de vocês", completou.

O presidente da Fifa já havia acompanhado um torneio não oficial em 2025, no Marrocos, onde a equipe afegã enfrentou seleções como Tunísia, Chade e Líbia. Desde então, Infantino buscava promover mudanças no regulamento para permitir a participação das afegãs em jogos oficiais, o que se concretizou nesta quarta-feira.

"Significa muito para a seleção feminina de futebol do Afeganistão, estamos lutando por isso há tanto tempo. Toda a situação das mulheres afegãs é muito emocionante, é difícil não se emocionar. Essa jornada nunca foi fácil para nós. Este é o nosso momento. Esta é a nossa hora", afirmou Popal.

Fatima Haidari, atual capitã da equipe, também participou da videochamada e ressaltou o alcance da decisão: "Acreditamos firmemente que isso pode continuar e que transmitirá uma mensagem poderosa ao mundo, não apenas sobre as meninas no Afeganistão, não sobre nós, não sobre este momento histórico, mas sobre as mulheres em todo o mundo", declarou Haidari.

Ela ainda lembrou da promessa feita por Infantino no Marrocos: "Quando o senhor me entregou o pingente oficial da Seleção Feminina Afegã Unida, senti o peso da história em minhas mãos", relatou.

A Fifa informou que irá liderar todas as etapas administrativas e preparatórias necessárias, incluindo o registro das equipes e a criação de uma estrutura operacional e esportiva. "A entidade fornecerá todos os recursos necessários, humanos, técnicos e financeiros para garantir um caminho seguro, profissional e sustentável para a competição oficial", destacou a organização.