Esportes
Aston Martin limita voltas no GP da Austrália por risco de lesão permanente nos pilotos
Equipe enfrenta vibrações no chassi de seus carros e restringe participação de Alonso e Stroll na abertura da temporada
A Aston Martin anunciou, na manhã desta quinta-feira (21), em Melbourne, que os pilotos Fernando Alonso e Lance Stroll terão o número de provas restritas e não deverão completar o GP da Austrália, que abre a temporada de Fórmula 1 neste domingo.
Segundo o projetista Adrian Newey , a unidade de potência Honda instalada em carros da equipe provoca vibrações intensas, capazes de causar danos permanentes às mãos dos pilotos, o que motivou a decisão.
"Essa vibração (transmitida pela unidade de potência Honda) para o chassi está causando alguns problemas de confiabilidade. Espelhos e lanternas traseiras que se soltam do carro, esse tipo de coisa, que estamos tendo que resolver. Mas o problema muito significativo mais é que essa vibração acaba sendo transmitida para os dedos do piloto", explicou Newey.
"Fernando (Alonso) acha que não pode dar mais de 25 voltas consecutivas antes de correr o risco de sofrer danos permanentes nos nervos das mãos. Lance (Stroll) acha que não pode dar mais de 15 voltas antes de atingir esse limite. Teremos que limita bastante o número de voltas até resolvermos a origem da vibração – e melhorarmos a vibração na sua origem", acrescentou o projetista.
Com isso, é provável que ambos os pilotos consigam completar pelo menos metade das 58 voltas previstas para a corrida. O tempo de prova dos carros será “muito limitado” até que uma solução seja encontrada, reforçou Newey.
A Aston Martin fez uma pré-temporada difícil, com desempenho inferior até ao mesmo da estreante Cadillac, e foi a equipe que menos completou voltas entre as 11 inscrições.
Apesar dos desafios, Newey ressalta que o modelo AMR26 possui grande potencial, especialmente neste início de uma nova era de regulamentações na Fórmula 1.
O projetista avalia que o chassi da Aston Martin é o quinto melhor do grid, ficando atrás apenas de Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull. Com um programa de desenvolvimento progressivo, acreditamos que a equipe poderá chegar à disputa pelas primeiras posições em 2026.
Alonso, por sua vez, mantém o otimismo para o treino livre desta sexta-feira, em Melbourne, apostando que ajustes no carro podem melhorar a situação.
"Para nós, é só vibração por toda parte. Mas não é só para nós. O carro está com um pouco de dificuldade, por isso temos alguns problemas, alguns problemas de confiabilidade que encurtaram um pouco nossos dias", declarou o piloto espanhol.
O desempenho abaixo do esperado da equipe foi atribuído a fatores como o cronograma apertado de desenvolvimento, a necessidade da Honda de reconstruir sua área de pesquisa e desenvolvimento após a saída da Red Bull, o desafio de criar uma nova caixa de câmbio própria e a parceria com a Aramco, fornecedora de combustíveis ainda não testada em corridas.
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