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Documento inédito comprova existência do lendário rei núbio Qashqash
Fragmento descoberto em Velha Dongola traz a primeira evidência contemporânea do monarca, até então conhecido apenas por tradições orais.
Arqueólogos encontraram, de forma acidental, um fragmento de documento que comprova a existência do semilendário rei núbio Qashqash no assentamento de Velha Dongola, no Sudão, segundo informações do portal Arkonews.
Durante séculos, Qashqash era citado sobretudo em tradições religiosas e relatos biográficos posteriores, como o Kitab al-Tabaqat, do século XIX, mas nunca havia sido confirmado por documentos contemporâneos.
"No entanto, até agora, nenhum documento contemporâneo confirmou que ele era mais do que apenas um nome presente na literatura oral e hagiográfica", ressalta o portal.
A descoberta ocorreu durante escavações nas ruínas da casa de Mekk, na cidadela de Velha Dongola, onde arqueólogos localizaram um documento no qual o rei Qashqash emite ordens a subordinados.

"O documento, emitido em nome do rei Qashqash, é a primeira confirmação arqueológica contemporânea de que este monarca núbio, há muito debatido, realmente existiu e exerceu o poder durante um período-chave na história pré-colonial do Sudão", destaca a publicação.
O texto do documento inicia-se com as palavras "Do rei Qashqash..." e é direcionado a um subordinado chamado Khidr. Nele, o rei orienta Khidr a recolher mercadorias denominadas ʾRDWYĀT, possivelmente um tipo de tecido.
Segundo o documento, Khidr deveria entregar uma ovelha e seu filhote, além de transferir um pano de algodão ou, talvez, um cocar de algodão para outra pessoa. A ordem se encerra com uma saudação breve e a identificação do escriba real, Hamad.

A casa de Mekk, onde o documento foi achado, era ricamente decorada. Entre os itens encontrados, estão produtos de seda e algodão fino, sapatos de couro, cabo de adaga esculpido em marfim ou chifre de rinoceronte, anel de ouro e até balas de mosquete.
Moedas de prata otomanas localizadas na mesma sala datam do início do século XVII, e a datação por radiocarbono de materiais orgânicos sugere que o enterramento ocorreu, no máximo, até o século XVIII.
Fontes históricas internas indicam que Qashqash provavelmente governou no final do século XVI ou início do século XVII, sendo um dos primeiros governantes pós-medievais de Dongola atestados de modo confiável.
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