Esportes
Jogo-teste e fim gradativo: proposta prevê retorno da torcida visitante em clássicos de SP
Projeto sugere reintrodução gradual das torcidas visitantes em jogos de futebol paulista, com testes e controle de segurança.
Após uma década de clássicos com torcida única em São Paulo, a regra pode estar prestes a mudar. Um novo projeto propõe o fim gradual da medida, com a realização de jogos-testes que permitiriam novamente a presença de torcedores visitantes nos estádios. O documento será encaminhado à Polícia Militar, ao Ministério Público e à Federação Paulista de Futebol.
Implementada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) em 2016, a torcida única foi uma resposta a episódios de violência, como o confronto entre Palmeiras e Corinthians que resultou em uma morte e dezenas de feridos. Desde então, a restrição passou a valer para clássicos entre Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e para o Dérbi Campineiro (Guarani x Ponte Preta).
A proposta de mudança é assinada pelo advogado Renan Bohus da Costa, especialista em Direito do Torcedor e gestão jurídica de eventos esportivos. Ele atua junto à Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), entidade que representa as torcidas desde 2014.
No documento, ao qual o Estadão teve acesso, sugere-se a realização de jogos-testes com participação controlada de visitantes, inicialmente limitados a até 10% da capacidade do estádio. “Número compatível com padrões internacionais de segurança e suficiente para avaliação técnica dos impactos operacionais, sociais e de segurança pública”, destaca a proposta.
Os ingressos para o setor visitante teriam prioridade para sócios e membros cadastrados de torcidas organizadas, mediante identificação prévia. Os setores de mandante e visitante seriam delimitados e articulados com rotas logísticas seguras, como já ocorre em outros jogos.
Esses testes seriam restritos a estádios equipados com tecnologia de reconhecimento facial, obrigatória em arenas com mais de 20 mil lugares desde junho de 2025, conforme a Lei Geral do Esporte.
“A lógica deixa de ser a punição coletiva e passa a ser a identificação e responsabilização individual de quem efetivamente pratica ilícito”, argumenta o texto, defendendo o uso da tecnologia para maior rigor na segurança.
O projeto cita casos recentes de sucesso, como a divisão de torcidas na Supercopa Rei deste ano, realizada no Mané Garrincha (Brasília), entre Corinthians e Flamengo, e na edição de 2023, entre São Paulo e Palmeiras, no Mineirão.
O argumento central é que a torcida única não eliminou a violência, apenas a deslocou para fora dos estádios. Dados indicam redução dos conflitos em dias de clássicos, mas o projeto questiona a abrangência das estatísticas.
“No período anterior à medida, cerca de 39,3% dos clássicos apresentavam episódios de violência associados às partidas em São Paulo. Após a implantação, esse percentual caiu para aproximadamente 10,7% dentro dos estádios ou em seu entorno imediato. Esse dado, isoladamente, poderia indicar êxito da medida. Contudo, o próprio estudo ressalta que tal redução não reflete a totalidade do fenômeno, pois os critérios passam a excluir ocorrências fora do perímetro do evento esportivo”, aponta o documento.
O texto também aborda o “direito de torcer” e destaca as torcidas organizadas como expressão cultural. Ressalta ainda a capacidade do Estado de São Paulo para gerenciar jogos com torcidas visitantes, citando a atuação da Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) e do 2º Batalhão de Choque da PM.
A proposta contrasta com discussões recentes no Judiciário paulista, que, após a morte de um torcedor cruzeirense em emboscada na rodovia Fernão Dias, discutiu ampliar a torcida única para clássicos nacionais, incluindo confrontos entre Palmeiras e Flamengo ou Cruzeiro na capital paulista.
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