Esportes
Judô brasileiro inicia ciclo olímpico no Grand Slam de Paris
Com repasses de mais de R$ 286 milhões, somando leis de incentivo e programa Bolsa Atleta, seleção brasileira de judô disputa o Paris Grand Slam neste final de semana
O judô brasileiro inicia sua caminhada rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 com a disputa do Paris Grand Slam 2026, que ocorrerá entre 7 e 8 de fevereiro, na Accor Arena, na França. A participação dos atletas brasileiros em eventos de elite é sustentada por um investimento histórico que já soma R$ 286 milhões via leis de incentivo e programa Bolsa Atleta, consolidando a modalidade como uma das mais bem financiadas do país, segundo levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (IPIE/UFPR).
Um pilar fundamental é o Programa Bolsa Atleta, incentivo direto dado aos atletas. O judô figura entre as modalidades com maior número de atletas contemplados, abrangendo desde jovens em formação até atletas olímpicos e de nível internacional. Entre 2010 e 2025, o programa contemplou 1.515 atletas em diversas categorias, o que representa um investimento direto de R$ 60 milhões.
Já entre 2002 e 2024, o repasse via Lei Agnelo Piva totalizou R$ 124 milhões, permitindo que o esporte mantivesse a tradição de conquistar medalhas em todas as Olimpíadas desde 2004.

O sucesso no tatame também é acompanhado por uma gestão robusta de recursos. De 2009 a 2024, a Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) direcionou mais de R$ 102 milhões para a modalidade, com o foco principal em projetos educacionais e de formação (79,51%). O amadurecimento da modalidade é visível no aumento de projetos contemplados, que saltaram de apenas três em 2009 para 54 em 2023.
Apesar do volume expressivo de incentivos, a análise conduzida pelo Instituto Inteligência Esportiva aponta um desafio estrutural: a concentração de investimentos. A região Sudeste detém 93,01% dos recursos totais provenientes da LIE, com 66 entidades beneficiadas, enquanto a região Norte conta com apenas duas.
Ainda assim, o investimento reflete resultados expressivos em competições continentais, como o recorde de 16 medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023. O calendário de 2026, que inclui o Mundial de Judô e 12 etapas de Grand Slam e Grand Prix, será fundamental para preparar a nova geração e os veteranos que buscam manter o Brasil no topo do judô mundial.
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