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Andrés pode ser expulso do Corinthians? Parecer indica gestão temerária do ex-presidente

Comissão de Justiça aponta uso indevido de cartão corporativo, recomenda ressarcimento e medidas de controle. Expulsão depende de análise do Conselho.

21/01/2026
Andrés pode ser expulso do Corinthians? Parecer indica gestão temerária do ex-presidente

A Comissão de Justiça do Corinthians finalizou a apuração sobre o uso indevido do cartão corporativo pelo ex-presidente Andrés Sanchez, classificando sua conduta como gestão temerária. O relatório aponta que Andrés utilizou recursos do clube em benefício próprio, prejudicando a imagem da instituição.

No parecer, o órgão recomenda que Andrés ressarça os cofres do Corinthians e sugere a implementação de medidas de controle para evitar novos casos. O ex-presidente admitiu o uso pessoal do cartão, alegando ter sido um engano, enquanto sua defesa afirma que o caso está sendo "espetacularizado".

Agora, Andrés está sujeito a punições que serão discutidas pelo Conselho Deliberativo, presidido por Romeu Tuma Júnior, que enfrenta pressão de torcidas organizadas. Cabe ao presidente do Conselho decidir se abre um procedimento ético-disciplinar na Comissão de Ética para analisar possíveis sanções administrativas, incluindo o desligamento do quadro associativo.

Os Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do clube, publicaram nota oficial cobrando a expulsão de Andrés e de Duílio Monteiro Alves, também investigado por uso indevido de recursos. Eles ainda mencionam Augusto Melo, recentemente destituído em razão de irregularidades em contrato com a antiga patrocinadora Vai de Bet.

A possibilidade de expulsão de Andrés, conselheiro vitalício, seria discutida sob o argumento de gestão temerária, motivo previsto no estatuto do clube para a destituição de presidentes e vices em exercício. No entanto, o estatuto não especifica procedimentos para irregularidades descobertas após o término do mandato.

O estatuto do Corinthians também não detalha regras sobre o uso de cartão corporativo. Ainda assim, a comissão concluiu que Andrés utilizou recursos do clube para benefício próprio.

Além disso, não há previsão de expulsão como punição para conselheiros vitalícios; as sanções previstas são a perda do cargo por ausência em cinco reuniões consecutivas ou dez alternadas, ou por inadimplência de três meses. Para todos os associados, o estatuto prevê desligamento em casos como:

- Reincidência em atos punidos com suspensão;

- Inadimplência de três meses consecutivos nas contribuições;

- Condenação definitiva por crimes hediondos ou infamantes;

- Prática de ato grave contra a moral social, desportiva ou contra dirigente no exercício do cargo;

- Denegrir a imagem do clube.

Paralelamente à investigação interna, Andrés Sanchez também é alvo de apuração do Ministério Público. Documentos vazados revelaram gastos pessoais no cartão corporativo do Corinthians. Em dezembro, ele e o ex-diretor financeiro Roberto Gavioli foram denunciados pelo promotor Cássio Conserino por lavagem de dinheiro e crimes tributários.

O caso remete à situação do ex-presidente Alberto Dualib, que deixou de ser sócio do clube em 2008 após ser acusado de lavagem de dinheiro no escândalo do fundo de investimentos MSI. Dualib renunciou à presidência em setembro de 2007 e, antes da reunião que votaria sua expulsão, pediu desligamento do quadro associativo.