Esportes
Camila Ferezin, da ginástica rítmica, é eleita a melhor técnica do Brasil e apenas a segunda na história do prêmio do COB
Desde 2001, o Prêmio Brasil Olímpico só havia destacado Rosicleia; Camila disse que quer ser inspiração para outras mulheres
Camila Ferezin, técnica da ginástica rítmica, foi a grande vencedora da categoria treinador de esporte individual, do Prêmio Brasil Olímpico, concedido pelo Comitê Olímpico do Brasil, nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro. A conquista é imensa: além do reconhecimento do salto que a modalidade deu em âmbito internacional, ela volta a colocar uma mulher na lista após mais de dez anos. Somente ela e Rosicléia Campos, do judô, foram coroadas as melhores treinadoras do Brasil pelo COB.
Desde 2001, a lista dos melhores treinadores do ano teve apenas homens, com exceção da edição de 2011, quando Rosicléia e Rubén Magnano (basquete) foram os vencedores. Rosicléia foi responsável pela guiada do judô feminino. Ela ficou 20 anos à frente da seleção brasileira de judô, e conquistou 14 medalhas olímpicas e 48 medalhas em Mundiais com suas atletas.
Quando subiu no palco, ela disse que lembrava de 1999, quando subiu ao pódio nesta mesma premiação como atleta. Ela fez uma homenagem às mulheres do esporte e também às professoras e educadoras. Agradeceu à família e a comissão técnica. Dedicou o prêmio ao seu "time de leoas" e a todas as atletas que ela treinou.
- Que ano foi esse, né? Foi o ano mais feliz da minha carreira profissional. Foram 12 anos de muito trabalho pra gente agora começar a colher esses frutos. Todo dia eu acordo e me pergunto, é verdade? Parece que a gente tá num sonho. E que bom, né? Que a gente trabalha tanto. São tantas horas dedicadas. Essa modalidade que a gente ama tanto - comemorou Camila, que lembra que após as conquistas em 2023, o país foi escolhido para ser sede do Mundial de 2025. - Era algo tão distante para mim, uma mulher nessa busca.. Quis muito esse prêmio para representar todas as mulheres do esporte nacional que, além de ser mãe, além de ser esposa, são atletas ou treinadoras e buscam objetivos. Quero muito ser inspiração para muitas treinadoras. Para falar para todas as mulheres que é possível sim, que a gente é capaz de sonhar, que a gente é capaz de conquistar o que a gente quiser. Que não é fácil, muitos desafios vão aparecer, mas que a mulher sabe lidar com tudo isso, né?
De 2001 a 2008, a premiação era para apenas um treinador. Desde 2008, o COB concede a honaria a um treinador de modalidade individual e outro para esportes coletivos. (veja lista abaixo).
Quando Camila Ferezin, assumiu o posto de treinadora da seleção de GR, em 2011, o país era 26º no Mundial. Com uma técnica búlgara e uma professora de ballet na comissão, o Brasil estava em vias de perder acesso até às competições continentais.
O "trabalho foi de formiguinha", como ela mesmo define. E em 2023, levou o Brasil ao recorde de medalhas no Pan de Santiago com oito ouros, em oito provas possíveis, além de mais quatro medalhas de pratas e um bronze.
Também manteve o país no TOP 5 do mundo (junção das séries mista e cinco arcos). No Mundial de Valência, em agosto, o Brasil conquistou vaga olímpica de forma inédita e o quarto lugar na série dos cinco arcos (ao som de “I wanna dance with somebody”, de Whitney Houston).
Neste ano, o Brasil teve ainda conquistas importantes em etapas de Copa do Mundo como na Romênia, quando ganhou o bronze no geral, ouro na prova mista e prata nos cinco arcos.
Veja a lista dos melhores treinadores do ano pelo COB
2001 – Larri Passos (tênis)
2002 – Bernardinho (vôlei)
2003 - Bernardinho (vôlei)
2004 - Bernardinho (vôlei)
2005 – Oleg Ostapenko (ginástica artística)
2006 – Bernardinho (vôlei)
2007 – Luiz Shinohara (judô)
2008 – Nélio Moura (atletismo) e José Roberto Guimarães (vôlei)
2009 – Renato Araújo (ginástica artística), Ricardo Cintra (maratonas aquáticas) e Brett Hawke (natação)
2010 – Elson Miranda (atletismo) e Bernardinho (vôlei)
2011 – Rosicleia Campos (judô) e Rubén Magnano (basquete)
2012 – Marcos Goto (ginástica artística) e José Roberto Guimarães (vôlei)
2013 - Marcos Goto (ginástica artística) e José Roberto Guimarães (vôlei)
2014 – Jesus Morlán (canoagem velocidade) e Morten Soubak (handebol)
2015 – Leandro Andreão (vôlei de praia) e Ratko Rudic (polo aquático)
2016 – Jesus Morlán (canoagem velocidade) e Rogério Micale (futebol)
2017 – Mario Tsutsui e Kiko Pereira (judô) e José Roberto Guimarães (vôlei)
2018 – Fernando Possenti (maratonas aquáticas) e Renan Dal Zotto (vôlei)
2019 – Mateus Alves (boxe) e Renan Dal Zotto (vôlei)
2021- André Jardine (futebol), Fernando Possenti (maratonas aquáticas), Francisco Porath (ginástica artística), Javier Torres (vela), Lauro Souza (canoagem velocidade) e Mateus Alves (boxe)
2022 – Felipe Siqueira (atletismo) e José Roberto Guimarães (vôlei)
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