Esportes
Renan dal Zotto: 'Desistir em um momento de dificuldade? Não. Buscarei a vaga'
Treinador descarta interferência de Bernardinho, novo coordenador, em seu trabalho na quadra e foca na disputa do Pré-Olímpico
Pressionados pela perda do título sul-americano para a Argentina, algo que nunca havia acontecido na história da competição, a seleção brasileira masculina de vôlei e o técnico Renan dal Zotto iniciam briga por uma vaga para Paris-2024 no Pré-olímpico. O torneio começa no próximo sábado, no Maracãnazinho. Pelo feminino, Brasil joga classificação contra o Japão, às 7h25 deste domingo.
Renan, que passou a ser duramente questionado pelos fãs do vôlei, foi mantido no cargo pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que anunciou a volta de Bernardinho como coordenador das seleções masculinas.
Ao GLOBO, o treinador diz que não pensou em sair, que sua missão agora é a conquista da vaga olímpica e que Bernardinho não interfere no seu trabalho como se ainda fosse o comandante.
Qual o maior desafio do Brasil no Pré-olímpico?
Jogamos o último Pré-olímpico na Bulgária (o Brasil venceu a Bulgária por 3 a 2, após estar 0 a 2 no placar) e se me perguntar se prefiro jogar fora ou em casa, a resposta é: em casa! Jogar fora, garanto, é muito pior. Claro que aqui a tensão será grande por ser a principal competição do ano, valendo vaga para Paris.
Um revés diante da torcida não é pior?
Todo revés dói. E estar diante da torcida é uma pressão a mais. Estaremos ansiosos: eles e nós. Historicamente, o início de competições em casa é tenso. Quem não lembra da estreia na Rio-2016 contra o México? O Brasil perdeu o primeiro set. O pré-olímpico será equilibrado e cada set vale a vaga olímpica (vitória por 3 a 0 vale mais pontos).
Você teve três pedidos de dispensa por motivos de contusão na ponta. É o seu tendão de Aquiles?
O Lucarelli esta vivendo um bom momento, o Honorato nos ajudou demais na VNL, o Adriano cresce a cada ano, e o Lukas Bergmann, um atleta bem novo, é esperto e tem futuro brilhante. Estou seguro com a opções na ponta. Essa é a nossa equipe, estamos fechados e 100% focados.
Como seleção ficou após a derrota no Sul-americano?
O time sentiu a derrota mas foi impressionante a postura ao virar a chave. Na volta aos treinos, na primeira semana, estava todo mundo muito ferido ainda. Mas hoje, o time está extremamente motivado. Ficamos chateados não pela derrota e sim por não termos conseguido fazer o que gostaríamos. A Argentina é uma grande seleção.
Abalou a confiança?
Confiança a gente adquire ali dentro (aponta para a quadra). Ela vem. Veja, o equilíbrio entre as seleções é muito grande. Tanto no masculino quanto no feminino. O que eu vejo hoje é que no dia a dia a resposta do grupo é positiva. Aquela derrota mexeu sim, mas vejo a entrega hoje e ela é muito boa.
Você se sente pressionado?
Pressão sempre tem, desde o primeiro dia em 2017. Fico mais ou menos sensível às cobranças... somos seres humanos. Reconhecendo que estou à frente de projeto super importante, me cobro muito. A cobrança sempre vai existir.
Em algum momento você pensou em sair da seleção?
Não, tenho uma missão que é classificar o Brasil à Olimpíada. É a minha missão de vida atualmente e todos vamos colocar nossas energias aqui. No esporte não há garantia de nada. Mas, em um momento de dificuldade, desistir? Não. Buscarei essa vaga com meu time. E não adianta falar agora de Paris-2024 ou Los Angeles-2028.
E se o Brasil não se classificar via Pré-olímpico?
É possível, o torneio será forte. Mas a gente não pensa nisso. Há duas formas de classificação: via Pré-olímpico ou ranking mundial. E pelo ranking, estaríamos classificados hoje (Brasil é quarto).
E a missão continuaria...
A gente vai tendo missões. E quem define é a CBV. Hoje, nossa missão é conquistar a vaga via Pré-olímpico. E vamos nessa.
Fãs questionaram sua permanência. Como se sentiu?
Sinceramente, eu leio pouco isso... Mas é natural, ainda mais nos dias de hoje, em que todos têm voz. E tá certo; tem de se posicionar. O mais importante é como a gente recebe. Eu farei o meu melhor aqui dentro e quando eu achar que o meu melhor não é o suficiente serei o primeiro a dizer que... Olha, não penso lá na frente. Penso no próximo jogo, se não a gente pira.
Como a volta do Bernardinho te ajuda? Pode atrapalhar?
Não atrapalha em nada, ao contrário. A gente sempre esteve muito próximo, somos amigos e temos uma linha de raciocínio parecida. É muito bom tê-lo perto, uma visão de fora. Sabe aquela coisa do pai e da mãe não perceber que o filho cresceu porque está no dia a dia mas alguém de fora tem a clara noção disso? Em 2001, aconteceu o inverso. Quando ele assumiu a seleção masculina, vindo do feminino, eu era supervisor técnico a convite dele; e em 2016, coordenador de seleções. Fico muito feliz em tê-lo aqui.
Ele dá "uma de técnico"?
Absolutamente não. Não tem interferência alguma no sentido pejorativo. Ele até teria autonomia e conhecimento para contribuir mais. A gente se respeita muito.
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