Economia
"É importante entregar arcabouço fiscal no ano em que o Real completa 30 anos", diz presidente do Itaú
Milton Maluhy afirmou que governo faz importante importante para buscar meta fiscal, e que já é preciso olhar para 2025
O presidente do Itaú, Milton Maluhy, afirmou nesta quarta-feira que o governo vem fazendo um esforço importante com bloqueios e contenção no orçamento para entregar as metas do arcabouço fiscal para 2024, mas é importante olhar também para 2025. O governo anunciou em julho, o bloqueio de R$ 11,2 bilhões e o contingenciamento de R$ 3,8 bilhões no Orçamento deste ano.
Bilhões : Itaú tem lucro de R$ 10,1 bilhões no sgeundo trimestre
— Entregar a meta do arcabouço num ano em que o Plano Real completa 30 anos é importante, mas é importante também olhar para 2025 — afirmou ele, durante apresentação dos resultados do banco, que teve lucro de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano.
A meta do governo é atingir déficit zero em 2024 e em 2025 e ter um superávit de 0,25% em 2026. Ontem o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai manter o arcabouço fiscal até 2026, “custe o que custar”, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Maluhy afirmou que no Brasil, a dinâmica do câmbio, com o dólar batendo R$ 5,86 esta semana, traz preocupação de médio e longo prazo, mas que a questão fiscal também está no radar e traz um prêmio de risco.
Ele afirmou que o problema do câmbio é se o dólar persistir num patamar mais elevado por um longo tempo, gerando um cenário inflacionário. Ele acredita que o BC mantenha a Selic, juros básicos da economia em 10,5% até o final do ano, e que a autoridade monetária saberá tomar a melhor decisão para combater a inflação evitando que a renda das pessoas seja corroída.
Recessão nos EUA não deve acontecer
O presidente do Itaú avalia que a chance de uma recessão nos EUA é relativamente baixa e que, mesmo com a correção das bolsas registradas esta semana, índices como o Nasdaq ainda estão no campo positivo quando se olham os últimos 12 meses.
Maluhy acredita que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, inicie uma trajetória de queda dos juros por lá, com uma baixa de 0,25 pontos percentuais em setembro e mais duas reduções de 0,25 até o final do ano.
— Precisamos colocar em perspectiva os últimos dias de correção no mercado. Continuo achando que a chance de uma recessão nos EUA é relativamente baixa — disse.
Ele afirmou que com queda de juros nos EUA, o dólar tende a ficar um pouco mais fraco, fortalecendo outras moedas. E nesse cenário, o real pode se beneficiar por tabela com redução do juro americano.
Para o Brasil, disse Maluhy, os efeitos dessa correção de mercado foram pequenos. O presidente do Itaú afirmou que os EUA tem uma alavanca poderosa e que a política monetária deverá atuar em caso de os sinais de arrefecimento da economia permanecerem. Maluhy afirmou que as turbulências do mercado não influenciam o apetite do banco em oferecer crédito.
— Com os eventos recentes, não vimos razões para calibrar o apetite de crédito. Analisamos isso todos os dias considerando mercado de trabalho, câmbio, crescimento do PIB, mas esperamos continuar crescendo com a carteira de crédito, sempre com informações de mercado e monitorando a saúde financeira dos clientes, seu comprometindo de renda — disse o presidente do Itaú, lembrando que o comprometimento de renda do brasileiro continua num patamar elevado e, por isso, a oferta de crédito tem que ser feita com cuidado.
Dividendos no quarto trimestre
O presidente do Itaú afirmou que o banco vem trabalhando com excesso de capital, mas disse que uma distribuição de dividendos extras aos acionistas só deve ser definida no quarto trimestre.
— O consumo benigno de capital é atender as necessidades dos clientes. Mas no quarto trimestre vamos ter mais informações e podemos divulgar um dividendo extraordinário. Certamente haverá dividendo extraordinário — afirmou.
Superaplicativo
Maluhy se mostrou satisfeito com os resultados do superaplicativo lançado pelo banco e disse que o processo de migração de clientes está sendo acelerado. Com o superaplicativo clientes e não clientes podem ter acesso a todos os produtos do banco. Até o final deste ano, a expectativa era migrar 2,5 milhões de clientes, mas ele acredita que este número deve dobrar. E que até 2025, cerca de 15 milhões já serão impactados pela nova experiência
Maluhy afirmou ainda que o lançamento do Pix por aproximação nas maquininjhas da rede (que pertence ao Itaú) é uma inovação que o mercado vai seguir no futuro. A ferramenta passa a valer a partir de outubro.
— O Pix por aproximação é uma evolução brutal na experiência do cliente, que fica refém do QR Code ou tem que pedir dados do estabelecimento para fazer o Pix. Vamos ajudar o regulador (BC) a entender o que é o uso dessa solução no dia a dia — disse o presidente do Itaú.
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