Economia
BCs nos EUA, zona do euro, e Inglaterra têm última reunião do ano para decidir sobre juros. O que esperar?
Fed, BCE e BoE devem sinalizar que ainda é cedo para tratar debate sobre corte de taxas
As reuniões de política monetária são protagonistas na semana. Bancos centrais dos Estados Unidos, Reino Unido e na zona do euro realizam seus últimos encontros para decidir sobre os rumos dos juros em 2023 a partir desta quarta-feira.
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Nos mercados emergentes, as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do banco central do México são destaques.
Se no começo de 2023, os investidores debatiam sobre até que patamar os juros atingiriam, agora, as discussões no exterior já miram o início dos cortes nas taxas. No caso brasileiro, que iniciou o aperto monetário de forma antecipada, o mercado pondera qual será o nível terminal da Selic.
EUA: manutenção dos juros
Nesta quarta-feira, o Federal Reserve, banco central americano, deverá manter os juros inalterados na faixa entre 5,25% e 5,5% pela terceira reunião consecutiva. É o maior patamar dos juros no país desde 2001.
Os dirigentes do Fed devem utilizar o encontro para reforçar o tom mais cauteloso de suas comunicações recentes, com o objetivo de desestimular as expectativas de cortes antecipados nas taxas pelo mercado.
Após a divulgação de dados de inflação melhores do que o esperado no último mês, parte dos agentes começaram a precificar que o BC poderia iniciar os cortes dos juros já no primeiro trimestre do próximo ano.
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O otimismo arrefeceu nos últimos dias diante das divulgações do relatório “payroll” de novembro, mostrando criação de vagas de trabalho acima do esperado e taxa de desemprego em patamar baixo, e com a inflação ao consumidor no mês levemente acima do esperado.
Ainda assim, a percepção é que o Fed já encerrou o ciclo de altas e deverá começar a debater o início do ciclo de cortes em breve.
Com isso, o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, deve ganhar a atenção dos agentes.
— Muito prematuro em falar em uma mudança de postura do Fed agora. Devemos ter um tom ainda contracionista. Pode dar uma sinalização de pausa, mas com indicativos de que o dever de casa ainda não foi cumprido — destaca o economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti.
O objetivo da alta de juros é combater a inflação elevada no país. Apesar do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) ter desacelerado para os 3% na base anual em outubro, o indicador segue acima da meta de 2% do Fed.
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No caso do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), ocorreu avanço de 3,1% em novembro, também na base de comparação anual.
Além do anúncio sobre os juros, os agentes de mercado esperavam a divulgação do “dot plot”, ou resumo das projeções econômicas. O gráfico mostra a mediana das expectativas dos dirigentes do banco para os juros, inflação, desemprego e Produto Interno Bruto (PIB) para os próximos anos.
Ele serve, portanto, como uma guia sobre como os membros do banco estão observando a evolução das condições econômicas no momento.
Quando virão os cortes?
Em relatório, os economistas do Goldman Sachs anteciparam do quarto para o terceiro trimestre de 2024 a sua previsão para o início do ciclo de cortes. Eles destacam que a alteração não reflete uma mudança fundamental na avaliação do banco, mas sim o fato de que a inflação mostrou desaceleração maior que o esperado e, por isso, as condições para o primeiro corte do Fed serão atingidas antes do que o Goldman previa anteriormente.
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Na avaliação dos economistas, “é difícil prever quando a primeira redução de juros ocorrerá “porque mesmo surpresas modestas na trajetória de inflação poderiam alterar o cronograma”.
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Europa: cautela com inflação deve permanecer
O Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra (BoE) se reúnem na quinta-feira. No continente, a expectativa também é por um discurso mais duro, sinalizando que as metas das instituições ainda não foram cumpridas.
Assim como nos Estados Unidos, a inflação na zona do euro também vem desacelerando, mas os dirigentes do BCE têm afirmado que querem ver mais evidências do processo de desinflação.
Os BCs que já foram criticados pela demora em responder ao avanço inflacionário pós-pandemia não querem correr o risco de ver um repique de alta nos preços.
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Em seus últimos encontros, as instituições mantiveram os juros inalterados em 4% e 5,25%, respectivamente. Os juros na zona do euro estão no patamar mais alto desde a criação da moeda comum.
Em relatório, analistas do Deutsche Bank esperam que o BCE reconheça que a inflação diminuiu mais rapidamente do que o esperado, “mas que seja tímido em declarar vitória prematuramente”.
“Esperamos que o BCE mantenha a orientação de que a manutenção de taxas restritivas por tempo suficiente trará a inflação de volta à meta em tempo hábil”, destacam.
Para o banco alemão, a tendência é que os dados de inflação sigam surpreendo positivamente, o que pode abrir cortes de juros a partir de março.
O BoE chegou a realizar 14 aumentos consecutivos nos juros. Apesar de dizer que a economia estava perto de uma recessão e não teria um crescimento significativo nos próximos anos, a autoridade monetária, em sua última reunião, reforçou a mensagem de que manteria as taxas em patamar elevado.
Embora a inflação tenha caído de 11,1% – o valor mais elevado desde a década de 1980 – há pouco mais de um ano para 4,6% nos dados de outubro, continua acima da meta de 2% do BC inglês.
— A postura dos banqueiros centrais ainda será de um tom de cautela. Na Europa, o dever de casa ainda não foi cumprido. Você vai ter uma política mais restritiva por mais tempo — disse Bertotti.
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