Economia
Acordo com Cingapura é o 1º firmado pelo Mercosul desde 2011; país asiático é o 8º maior importador do Brasil
Sem avanços nas negociações com a União Europeia (UE), assinatura de tratado com cidade-estado asiática termina como principal resultado de encontro de cúpula do bloco sul-americano no Rio
Sem avanços nas negociações de acordo comercial com a União Europeia (UE), após a troca de governo na Argentina, o principal resultado em termos econômicos da cúpula do Mercosul encerrada no Rio nesta quinta-feira será a assinatura do trato de livre comércio com Cingapura. O acordo foi assinado, em cerimônia, nesta tarde.
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Embora o clima seja de frustração por causa do adiamento dos avanços com a UE, Cingapura é o oitavo maior destino das exportações brasileiras. E o acordo é o primeiro tratado do tipo firmado pelo Mercosul desde 2011, quando assinou com a Palestina.
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A demora para concluir negociações deixa na fila de espera outros acordos considerados prioritários, mas que ainda não foram fechados.
Ao assumir a presidência temporária do Mercosul, mandato que se encerra com a cúpula no Rio, o Brasil colocou como prioridade, além das conversas com a UE e a finalização do tratado com Cingapura, os acordos com:
EFTA (bloco de europeus que não estão na UE, formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein)
Canadá
Vietnã
Indonésia
Exportações para Cingapura saltam
As exportações do Brasil para Cingapura saltaram nos últimos anos. Em 2018, o país asiático era o 22º maior destino das vendas brasileiras no exterior, com US$ 2,3 bilhões. Ano passado, o país ficou na sétima posição, com US$ 8,4 bilhões.
Este ano, até novembro, o Brasil já exportou US$ 7,1 bilhões para Cingapura, colocando a cidade-estado na oitava posição entre os principais destinos das exportações nacionais – lista liderada, com folga, pela China, que até novembro já comprou US$ 95,4 bilhões do Brasil, mais do que os US$ 89,4 bilhões do ano passado.
Cingapura tem uma população de 5,975 milhões – menos do que os 6,211 milhões do Rio, conforme o Censo 2022 – e um dos maiores PIB por habitante do mundo, ou seja, o mercado consumidor não é muito relevante. Mesmo assim, o acordo de livre comércio é importante, disse Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados e ex-secretário de Comércio Exterior:
– Cingapura é um grande hub logístico. Re-exporta para vários países da Ásia. Eles têm acordos de livre comércio com praticamente todos os países da região.
Acesso para Tailândia e Indonésia
Embora haja expectativas de aumento das exportações de carne bovina e frango para Cingapura, mais importante será o acesso a grandes mercados, como Tailândia (69,8 milhões de habitantes) e Indonésia (279,5 milhões, o quarto país mais populoso do mundo), além do sul da China.
– Sai mais barato, em termos de logística, mandar alguma coisa para Cingapura para levar para a Tailândia e para China do que ir direto do Brasil, por conta da movimentação (de cargas) e porque eles têm um porto muito eficiente – completou Barral.
O consultor chamou a atenção para o fato de que as exportações para esses países também estão em alta. Ano passado, o Brasil vendeu US$ 3,5 bilhões para a Tailândia, um salto de 87% sobre o US$ 19 bilhão de 2018. Este ano, as vendas para a Tailândia já somam US$ 3,1 bilhões, no acumulado até novembro.
Expectativa de investimentos
Segundo Barral, o acordo também poderá facilitar investimentos de Cingapura no país. Na quarta-feira, ao abrir as reuniões do Mercosul no Rio, o vice-presidente Geraldo Alckmin, comemorou a assinatura do acordo.
– Essa integração fortalece os laços econômicos entre o Brasil, o Mercosul e a região asiática, criando oportunidades para maior diversificação das exportações e investimentos – disse Alckmin, que também comanda o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), na abertura da reunião de ministros do bloco sul-americano.
No fim de novembro, o ministro do Comércio e Indústria de Cingapura, Gan Kim Yong, veio ao Brasil para tratar das negociações e afirmou que o país asiático tem interesse em oportunidades de negócios com “economia digital” e “economia verde”. Segundo o ministro, há interesse em investir em “projetos que gerem créditos de carbono, seja reflorestamento ou energia verde”.
(Com G1)
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