Economia

Desenrola: maior parte dos brasileiros não sabe se dívidas podem ser negociadas no programa

Pesquisa do Instituto Locomotiva traçou perfil da inadimplência. Cartão de crédito segue como principal causa das dívidas

Agência O Globo - EXTRA 07/12/2023
Desenrola: maior parte dos brasileiros não sabe se dívidas podem ser negociadas no programa
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A maior parte dos brasileiros endividados ainda têm dificuldades de entender o Desenrola Brasil e, apesar de conhecerem o programa, não sabem se suas dívidas podem ou não ser contempladas na renegociação de débitos. A percepção da população sobre o projeto do governo federal para foi um dos recortes apontados em pesquisa divulgada nesta quinta-feira (dia 7) pelo Instituto Locomotiva.

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O estudo ouviu brasileiros de todo o país, e apontou que 59% dos inadimplentes conhecem o programa, mas só de ouvir falar, e 57% não sabem se as dívidas estão incluídas entre as que podem ser renegociadas no Desenrola. Já 28% dos ouvidos afirmaram que possuem dívidas que foram ou podem ser renegociadas.

— O Desenrola é conhecido, visto como algo importante, mas o seu funcionamento está ainda aquém do que os brasileiros gostariam de saber. Isso é natural, na medida que o programa teve uma série de etapas, mas é algo tão bom que pode estar sendo subaproveitado — analisou Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

A pesquisa também mostra que 85% dos inadimplentes ainda pretendem negociar suas dívidas no programa, enquanto 11% já fizeram acordos.

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Cartão de crédito lidera

O estudo traçou o perfil dos brasileiros inadimplentes, e mostra que 77% dos lares brasileiros possuem dívidas e 30% têm alguma dívida atrasada (inadimplência). O cartão de crédito aparece como principal vilão para 60% das pessoas inadimplentes. E esse percentual vem subindo. Em 2022, era de 56% e no ano anterior, de 49%.

Atrasos nos pagamentos de empréstimos bancários e financeiras estão em segundo lugar entre as principais fontes de inadimplência do brasileiro. No total, 43% disseram ter dívidas do tipo. No ano passado, o patamar era de 40%. Já em relação a 2021, houve queda no percentual de três pontos percentuais.

Veja o ranking:

Cartão de crédito: 60%

Empréstimos e financiamentos bancários: 43%

Cheque especial: 19%

Contas de luz, água, gás etc: 17%

Impostos como IPVA e IPTU: 15%

Telefone celular: 14%

Lojas de departamento: 12%

Internet ou TV a cabo: 10%

Plano de saúde: 6%

Supermercado, hipermercado ou atacado: 5%