Economia

Desigualdade volta a cair em 2022, com melhora no mercado de trabalho e programas sociais

Percentual de pessoas em situação de pobreza caiu de 36,7% em 2021 para 31,6% em 2022, enquanto parcela de pessoas em extrema pobreza recuou de 9% para 5,9%

Agência O Globo - EXTRA 06/12/2023
Desigualdade volta a cair em 2022, com melhora no mercado de trabalho e programas sociais
IBGE - Foto: AGENCIA BRASIL

A retomada do mercado de trabalho e o fortalecimento de programas sociais levaram a desigualdade social no Brasil ao menor patamar nos últimos dez anos, embora se mantenha como uma das mais altas do mundo. Os dados constam na nova Síntese de Indicadores Sociais (SIS/IBGE), referente ao ano de 2022.

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Em outubro, o número de brasileiros ocupados chegou a cem milhões de pessoas pela primeira vez. É o maior patamar desde o início da série histórica do IBGE, iniciada em 2012, renovando o recorde batido no levantamento anterior.

Sem programas sociais, desigualdade seria maior

O Índice de Gini é o medidor usado para estimar a desigualdade de renda e consiste em um número entre 0 e 1. Quanto mais baixo, menor a assimetria entre as classes.

Esse indicador ficou em 0,518 no ano passado. De acordo com o IBGE, se os programas sociais não existissem, o resultado poderia chegar a 0,548.

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Quase 70 milhões na pobreza

Apesar da melhora nos indicadores sociais, cerca de 67,8 milhões de brasileiros estavam em condição de pobreza em 2022, com renda nominal inferior a US$ 5,50 por dia. Outros 12,7 milhões estavam em condição de extrema pobreza, com menos de US$ 1,90 de renda diária. A pesquisa considera as linhas de extrema pobreza e pobreza propostas pelo Banco Mundial, atualizadas no final de 2022.

Frente a 2021, esses contingentes recuaram 10,2 milhões e 6,5 milhões, nessa ordem. O percentual de pessoas em situação de pobreza caiu de 36,7% em 2021 para 31,6% em 2022, enquanto a parcela de pessoas em extrema pobreza caiu de 9,0% para 5,9% no mesmo intervalo.

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De acordo com cálculo do IBGE, a ausência dos programas sociais teria elevado a proporção de pobres do país de 31,6% para 35,4%. Já a extrema pobreza teria subido de 5,9% para 10,6% da população do país.

Isso acontece porque, enquanto a redução da pobreza se dá principalmente diante da melhora de indicadores de emprego, a redução da extrema pobreza é mais impactada pelos benefícios governamentais.

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Na renda domiciliar das pessoas em situação de extrema pobreza, a participação dos programas sociais foi de 67% em 2022. Já entre os domicílios considerados pobres, os benefícios sociais do governo representavam 20,5% dos rendimentos e a renda do trabalho, 63,1%.

Outro dado importante do levantamento é que a pobreza, no Brasil, tem cor: 40% das pessoas pretas ou pardas eram pobres em 2022, patamar quase duas vezes maior que a taxa da população branca, de apenas 21%.

As famílias chefiadas por mulheres pretas ou pardas, sem cônjuge e com filhos menores de 14 anos, concentraram a maior incidência de pobreza e 72,2% dos seus integrantes eram pobres. Outros 22,6% eram extremamente pobres.