Economia
O PIB em histórias: veja como a economia afeta famílias e empresas brasileiras
Receita de profissional liberal cresce em 2023, cafeteria vê movimento maior e fabricante de ventiladores amplia produção. Na agropecuária, foco é em 2024
A economia brasileira ficou praticamente estável no terceiro trimestre e avançou apenas 0,1% ante os três meses anteriores. O consumo das famílias surpreendeu e cresceu mais que no trimestre anterior, com ajuda de programas de transferência de renda, inflação em queda e melhora no mercado de trabalho.
O setor de serviços, que responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruno (PIB), também mostrou resiliência e avançou, assim como indústria. A agropecuária, por sua vez, que puxou a economia no primeiro semestre, teve retração. Veja abaixo histórias de pessoas e empresas que retratam esse momento da economia brasileira.
Salário maior, mas plano de carro zero frustrado
A advogada Alessandra Rodrigues, e o marido, Marcus Rodrigues, são autônomos. Ele, que é dentista, viu sua renda crescer neste ano - teve aumento de cerca de 15% na receita em 2023.
Muitos brasileiros também tiveram uma maior folga no orçamento, o que impulsionou o consumo, que cresceu 1,1% no terceiro trimestre, segundo do IBGE.
No caso de Alessandra e Marcus, porém, o ganho maior ainda não foi suficiente para realizar o sonho do carro zero, que estava nos planos da família desde maio.
— Minha filha começou a fazer fisioterapia quatro vezes na semana e estávamos gastando cerca de R$ 200 por semana só com as corridas de ida e volta (com carro de aplicativo). Começamos a correr atrás do financiamento de um carro 0 km, mas parece que não existe mais o conceito de carro popular. Há uns nove anos, comprei um carro zero para a minha mãe e paguei R$ 30 mil em um sedã. Hoje, está em torno de R$ 80 mil, R$ 90 mil.
Com dois filhos, um de 14 anos e uma de 6 anos, o casal optou então por buscar um veículo usado. Diz que contratar um empréstimo está fora de cogitação, pois os juros ainda estão elevados.
— Passei a levar marmita para o trabalho e não estamos saindo tanto quanto antes, porque queremos investir no carro. Também cortei o transporte escolar do meu filho mais velho — conta Alessandra.
Mais movimento na cafeteria
Márcia Helena Araújo, de 27 anos, é uma das gerentes de uma cafeteria no Centro do Rio, que existe desde 1961, próximo à estação de metrô Carioca. Ela conta que o movimento esteve em baixa neste ano, mas começou a surpreender positivamente em outubro.
— Tem muitos estabelecimentos que fecharam aqui por perto. Mas de outubro para cá começou a melhorar. Agora tem outras coisas abrindo, lojas, restaurantes — relata.
O setor de serviços, que responde por 70% do PIB e abrange desde hotéis e restaurantes a salões de beleza, vem mostrando resiliência. Cresceu 0,6% no terceiro trimestre.
Desde a pandemia, diante da necessidade de ajustes nos preços, Márcia e sua equipe começaram a inventar promoções e vender pratos feitos (PFs) na hora do almoço por R$ 14,90 para atrair mais clientes. Hoje, esses pratos se tornaram o carro chefe da casa.
Um dos sócios, Reginaldo Teles, de 64 anos, conta que tem percebido o centro da cidade mais movimentado nos últimos meses e estima que a sua receita tenha crescido de 25% a 30% no período de outubro a novembro.
Conversando com os clientes, ele destaca que muitos estão fugindo do calor em casa para os escritórios, com a chegada do verão, e que as empresas passaram a exigir que os funcionários fossem mais dias presencialmente
Na Mondial, produção aumentou com calor
Quando soube que o ano de 2023 era de El Niño, fenômeno climático que provoca aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o empresário Giovanni Cardoso, fundador da Mondial, marca brasileira de eletroportáteis, se preparou para um impacto maior na sua produção de ventiladores.
Entre agosto e outubro, ondas de calor atingiram o país e ele já tinha produzido 56% a mais de produtos naquele segmento — e acumulado bons estoques.
— Ampliamos os estoques, compramos mais máquinas e moldes. A demanda cresceu acima do previsto e, mesmo tendo produzido muito mais, as vendas ao varejo dispararam. Hoje, trabalho sem folga. Tudo o que produzo eu vendo. E estou sem estoque — conta Cardoso.
No terceiro trimestre, a indústria cresceu 0,6% e ajudou a impulsionar o PIB, que havia sido puxado pelo agronegócio no primeiro semestre.
Os especialistas afirmam que a indústria fechará no azul neste ano, ajudando o crescimento país. O setor de eletroportáteis, em que a Mondial atua com airfryers, liquidificadores, ferros de passar, deverá crescer 8%. Na empresa, a expectativa é de crescimento de 31%, com lançamento de novas linhas de produtos como televisores, além de equipamentos de som da marca Aiwa.
— O Bolsa Família ajudou nas vendas e a agilidade de entrega do e-commerce ajudou nossa empresa este ano. Além disso, o tíquete médio dos nossos produtos é de R$ 240, com parcelamento em três vezes sem juros. Não dependemos do crédito. Se a economia vai bem, nós também vamos — explica o fundador da Mondial.
Na agropecuária, foco agora é a colheita de 2024
Em seus 315 hectares de terra na cidade de Holambra, a 134 quilômetros da capital paulista, a produção de cana-de-açúcar do agricultor Gilberto Fillipini cresceu 15% na safra deste ano, chegando a 18 mil toneladas. Foi graças a produtores como Fillipini que o PIB do país teve saldo positivo no primeiro semestre deste ano.
No terceiro trimestre, porém, a agropecuária caiu 3,3%, já que a colheita de grãos mais relevantes da safra brasileira é concentrada na primeira metade do ano.
— Foi um ano de clima favorável e os preços se mantiveram. Se o preço do etanol estava mais baixo, o do açúcar compensou porque estava em alta. No balanço, tivemos um primeiro semestre bom. Agora, estamos em fase de preparação para a próxima safra (2024). A próxima colheita vai de maio a setembro — conta Fillipini.
Ele lembra que nos anos anteriores foram ruins para a produção e, para melhorar a colheita da próxima safra, investiu pouco mais de R$ 1 milhão em renovação de canaviais, equipamentos e máquinas. Quando começar a colher, no próximo ano, a expectativa é que o crescimento de 15% da safra se repita e Fillipini chegue às 20 mil toneladas.
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