Economia

PIB: economia cresce 0,1% no terceiro trimestre, segundo o IBGE

Resultado é melhor do que o esperado. Analistas previam retração de 0,2%. Investimentos e agropecuária recuam, mas consumo das famílias e setor de serviços avançam mesmo em cenário de juros altos

Agência O Globo - EXTRA 05/12/2023
PIB: economia cresce 0,1% no terceiro trimestre, segundo o IBGE
Foto: Reprodução

Após o forte crescimento no primeiro semestre, que superou as projeções de analistas, a economia brasileira deu uma freada brusca no terceiro trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB, valor de todos os bens e serviços produzidos) cresceu 0,1% ante o segundo trimestre. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo IBGE.

A freada já era esperada, mas o resultado veio acima do esperado. Pesquisa do Valor sobre as projeções de analistas de instituições financeiras e consultorias apontava para uma retração de 0,2% no PIB do terceiro trimestre sobre o segundo.

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Agropecuária e investimentos caíram, levando a economia a perder fôlego. Por outro lado, consumo das famílias cresceu mais que no trimestre anterior, mesmo em um cenário de juros elevados, e o setor de serviços manteve o ritmo de crescimento, demonstrando resiliência. Veja abaixo os destaques do PIB.

Agropecuária: -3,3%

Indústria: 0,6%

Serviços: 0,6%

Consumo das famílias: 1,1%

Consumo do governo: 0,5%

Investimentos: -2,5%

Exportações: 3,0%

Importação: -2,1%

A queda da agropecuária, que sustentou o crescimento do PIB no primeiro trimestre, foi a primeira após cinco trimestres com taxas positivas, segundo dados revisados.

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“A agropecuária atingiu o seu maior patamar no trimestre passado e neste há a saída da safra da soja, a maior lavoura brasileira, que é concentrada no primeiro semestre. Portanto, essa queda era esperada", diz a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, lembrando que no ano o setor cresce 18,1%.

Já o recuo dos investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) foi a quarta queda consecutiva quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, reflexo da política monetária contracionista. Juros elevados encareceram o crédito nos últimos meses e o resultado foi um freio em novos projetos.

Na comparação com o trimestre anterior, a queda de investimento foi de 6,8%, com menor importação de máquinas e menor expansão da construção civil.

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Com isso, a taxa de investimento no terceiro trimestre deste ano caiu a 16,6% do PIB, patamar de 2020.

Consumo das famílias, porém, demonstrou resiliência. O crescimento de 1,1% no terceiro trimestre supera o 0,9% de avanço nos três meses anteriores. O consumo do governo cresceu apenas 0,5%.

“O crescimento do consumo das famílias é explicado por alguns fatores, como os programas governamentais de transferência de renda, a continuação da melhora do mercado de trabalho, a inflação mais baixa e o crescimento do crédito”, destacou Rebeca.

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Por outro lado, diz, apesar de começarem a diminuir, os juros seguem altos e as famílias seguem endividadas. Um dos reflexos dessa dinâmica é que houve queda no consumo de bens duráveis, como eletrodomésticos.

Serviços — que responde por quase 70% do PIB — e indústria avançaram ambos 0,6% na comparação com os três meses anteriores. No caso de serviços, os destaques foram atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,3%) e as imobiliárias (1,3%). Já o setor de transporte, que vinha crescendo a passos largos, recuou 0,9%.

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Na indústria, o crescimento foi puxado pelo segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos (3,6%). De acordo com Rebeca, o consumo de energia tem sido elevado devido às altas temperaturas. Construção (-3,6%) foi a única atividade industrial a cair no trimestre.