Economia
'Vivi para contar': ‘Renegociar ao menos uma dívida já me tirou um peso das costas’
Analista de marketing recorreu ao Desenrola após se endividar com o cartão de crédito. Ela ainda tem débitos com dois bancos
Troquei de emprego algumas vezes desde 2020. A primeira foi durante a pandemia. Trabalhava em uma imobiliária que tinha foco em aluguel, mas na pandemia houve muita rescisão de contrato. E isso impactou a parte financeira da empresa, fazendo com que ela precisasse desligar alguns funcionários. E eu fui demitida.
Limpou o nome com o Desenrola Brasil? Veja como não ficar inadimplente de novo
Desenrola Brasil: negativados por dívidas de bens e imóveis poderão renegociar com bancos nesta fase
Depois, trabalhei em uma agência digital e na área de marketing de uma construtora. Minha saída de lá teve relação com questões de etarismo. Tenho 43 anos e optaram por pessoas mais jovens na área. Acabei sendo dispensada. Consegui outro emprego, no mesmo cargo, em uma empresa distribuidora de produtos.
Mesmo com todas essas mudanças, tentei manter um padrão de vida que não era mais possível. E me endividei com o cartão de crédito. Não podia continuar fazendo compras que não eram compatíveis com o estilo de vida que eu deveria ter. Precisei pegar um empréstimo com um banco do qual sou cliente há 20 anos para pagar contas de aluguel, condomínio, luz, internet e todas essas coisas do dia a dia.
Desenrola Brasil: golpistas promovem links falsos do programa na web para pegar dados e dinheiro
Moro junto com um amigo. Parte da decisão de dividir a casa foi para repartir as despesas. Mas minha intenção, caso não tivesse perdido o emprego, era morar sozinha. Quando tudo aconteceu, estava buscando apartamento para alugar.
Troquei de casa no período em que tive redução significativa de salário. Antes, morava em apartamento alugado por imobiliária. Agora, é alugado direto com o proprietário. Com imobiliária, você tem que ter fiador e uma série de documentos que em um aluguel direto com o proprietário você não tem.
Tenho dívidas do Fies. Posso participar do Desenrola Brasil?
Com a mudança, comecei a ver que tinha perdido o controle das minhas finanças, porque vi que não conseguia comprar um móvel para minha casa. E não consigo justamente por não ter cartão de crédito, por não poder fazer um carnê de uma loja para comprar parcelado. Tudo tem que ser à vista, no débito ou no dinheiro, e isso acaba impactando bastante. Você vê as coisas se deteriorando em casa, sem poder consertar ou comprar algo novo, porque está com o nome sujo.
Essa situação afetou minha saúde mental. Tenho labirintite, e, quando fico estressada, ela ataca. Nos últimos seis meses, tenho tido crise todas as semanas. Meu carro é mais antigo e está cheio de problemas. Daí fico pensando como vou fazer determinadas coisas se não tenho dinheiro. Isso afeta meu sono, me sinto angustiada.
Desenrola 'enxuga gelo' ao não atacar causas do superendividamento: veja avaliação de professor da FGV
Tenho dívida em dois bancos com cartão de crédito. Em um, sou cliente há dois anos, no outro, há quatro. O empréstimo que peguei foi em um terceiro banco, no qual sou cliente há cerca de 20 anos. Cheguei a ir mais de uma vez a todos eles para tentar renegociar as dívidas, mas todas elas sem sucesso.
Em uma das vezes, o gerente disse que, infelizmente, não podia fazer nada e que eu teria que continuar pagando. Falei que não conseguiria honrar o pagamento daquele jeito. E ele respondeu: “você quem sabe”. Em um dos bancos que procurei, os juros no fim multiplicavam minha dívida por seis.
Eu me animei quando soube do Desenrola. Quanto mais você vai deixando a dívida acumular, mais vira uma bola de neve. No primeiro dia do programa, comecei a acessar os sites dos bancos. Em um deles, consegui renegociar. Ofereceram parcelas que consigo pagar sem afetar meu orçamento mensal.
Tenho conta de luz e gás atrasada. Posso participar do Desenrola Brasil?
Nos outros dois, não consegui acordo. Pediram entrada de mais de R$ 1 mil, com parcelas que não cabem para mim. Nesses dois bancos, a oferta foi praticamente a mesma que tinha visto quando tentei renegociar antes. Vou esperar para ver se as propostas mudam até o fim do programa.
Hoje, vivo com o básico. Não saio para jantar, não faço compras, não peço mais a pizza do fim de semana. Tive que abrir mão dessas coisas. Tento ficar em casa para economizar ao máximo.
Renegociar pelo menos uma dívida já me deixou aliviada. Porque isso é uma caminhada, e pelo menos essa eu vou conseguir quitar, tirar esse peso das minhas costas.
Depois que conseguir voltar a ter o nome limpo, quero reestruturar minha vida. Mobiliar a casa, ir a uma loja e fazer um cartão sem me preocupar. O cartão de crédito vai ficar guardado para uma emergência, não é para usar no dia a dia. É para saber que, se precisar, ele está ali.
*Em depoimento à repórter Caroline Nunes
Mais lidas
-
1TECNOLOGIA MILITAR
Revista americana destaca caças russos de 4ª geração com empuxo vetorado
-
2TECNOLOGIA
Avião russo 'Baikal' faz voo inaugural com motor e hélice produzidos no país
-
3VIDA SILVESTRE
Médico-veterinário registra nascimento e primeiros dias de filhotes de tucanuçu
-
4EQUILÍBRIO MILITAR
EUA manifestam preocupação com avanço da aviação embarcada chinesa
-
5OPERAÇÃO INTERNACIONAL
Guarda Costeira dos EUA enfrenta desafios para apreender terceiro petroleiro ligado à Venezuela