Economia

Banco Central nega 'censura' e diz que diretores têm 'pleno direito de se expressar'

Autonomia do Banco e indicação do economista Gabriel Galípolo esquentam o debate sobre a comunicação dos diretores do Copom

Agência O Globo - GLOBO 19/07/2023
Banco Central nega 'censura' e diz que diretores têm 'pleno direito de se expressar'
Banco central - Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

O Banco Central soltou nota nesta quarta-feira à noite afirmando que todos os diretores do Banco Central têm liberdade para se expressar. O comunicado nega que exista qualquer tipo de "censura" por parte do banco, após o jornal "Folha de S. Paulo" divulgar que um relatório interno do banco teria condicionado as manifestações públicas de deus diretores a uma autorização do presidente Roberto Campo Neto.

"A despeito da necessária organização dessa variedade de instrumentos de comunicação, todo dirigente do BC tem pleno direito de expressar livremente suas opiniões nos canais que considerar adequados, sem necessidade de quaisquer autorização ou aprovação prévias.", disse o Banco Central.

A polêmica tem relação com a indicação do economista Gabriel Galípolo para a Diretoria de Política Monetária. Galípolo foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda, é próximo de Fernando Haddad - os dois almoçaram juntos nesta quarta - e tem dito a interlocutores que pretende seguir o mesmo modelo do Fed, o banco central americano. Por lá, os presidentes regionais do banco têm liberdade para falar.

Veja abaixo a íntegra do comunicado do Banco Central.

"Sobre a matéria publicada hoje na coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de São Paulo/UOL, o Banco Central (BC) vem a público trazer os seguintes esclarecimentos para estabelecer que não existe e jamais existirá censura ou cerceamento de qualquer espécie à livre manifestação dos dirigentes do BC. Pelo contrário, os dirigentes do BC têm sido incentivados a se manifestar mais em público, o que pode se notar pela maior frequência de entrevistas e de outras manifestações públicas, incluindo a recém-lançada live semanal do BC no YouTube.

"As competências legais do BC envolvem uma diversidade de assuntos complexos com grande impacto econômico e social. Nesse contexto, as regras internas para a comunicação do BC com os diversos públicos visam:

"a)ampliar a transparência à sociedade sobre a atuação do BC;

"b)evitar assimetria de informações entre os agentes de mercado; e

"c)balancear o atendimento a veículos de comunicação.

"Essas regras vêm sendo estabelecidas e continuamente aprimoradas nos últimos anos. Ampliar a frequência e aperfeiçoar a forma da comunicação do BC tem sido uma preocupação unânime entre os membros da Diretoria Colegiada, formada pelo presidente e pelos oito diretores do BC.

"Como exemplo de aprimoramentos recentes, podemos citar o Regulamento para o Copom, que inclui seção sobre o Silêncio do Copom, e as orientações para o atendimento de audientes externos.

"O processo para a adoção de cada aprimoramento segue sempre o mesmo rito:

"a)análise prévia da proposta pelas áreas técnica e jurídica do BC;

"b)aprovação pela Diretoria Colegiada por meio da construção de consenso a partir do voto livre e individual de cada diretor;

"c)adoção indistinta por todos os seus dirigentes;

"d)implementação sob a coordenação do Departamento de Comunicação (Comun) e da Assessoria de Imprensa (Asimp).

"O BC vem estudando como aprimorar sua comunicação e qualquer mudança virá no sentido de estimular maior abertura e exposição do pensamento de seus dirigentes e da atuação da Autarquia, em linha com a autonomia recentemente aprovada na Lei Complementar 179, de 2021. De fato, especialmente após a aprovação da autonomia, o BC vem ampliando a frequência e os canais de comunicação com a sociedade e com a imprensa.

"A despeito da necessária organização dessa variedade de instrumentos de comunicação, todo dirigente do BC tem pleno direito de expressar livremente suas opiniões nos canais que considerar adequados, sem necessidade de quaisquer autorização ou aprovação prévias.

"Por fim, vale mencionar que as regras de comunicação do BC estão alinhadas e evoluem em linha com às de outros grandes bancos centrais que possuem longo histórico de autonomia."