Economia

Suspensão do acordo de grãos pela Rússia não deve ter grande impacto no preço do milho, diz diretor da CNA

Agência O Globo - Eliane Oliveira EXTRA 18/07/2023
Suspensão do acordo de grãos pela Rússia não deve ter grande impacto no preço do milho, diz diretor da CNA

O diretor-técnico da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, disse, nesta terça-feira, que a suspensão, pela Rússia, do acordo que permite a exportação de grãos ucranianos por meio de um corredor humanitário no Mar Negro não terá impacto significativo nos preços dos produtos que mais interessam ao Brasil: o milho e, em menor proporção, o trigo. Por iutro lado, segundo Lucchi, o que acontecerá com os fertilizantes ainda é "uma incógnita".

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Em julho do ano passado, a Rússia assinou um acordo, intermediado pela ONU, que criou um corredor humanitário, para que a Ucrânia pudesse vender 32 milhões de toneladas de grãos para países pobres e em desenvolvimento. Do total, 51% foram milho, 27% trigo, 11 produtos de girassol e 11% outros alimentos. Porém, Moscou decidiu suspender o trato, sob a alegação de que 36% e 49% de milho e trigo, respectivamente, foram para nações desenvolvidas.

Bruno Lucci explicou que o impacto será pequeno no mercado interno e não deverá ter reflexo significativo na inflação, porque o preço do produto está bastante reduzido. No Brasil, a cotação da saca de 60 quilogramas, que há um ano era de R$ 82,36, caiu para R$ 54,52, uma queda de 34%. Em estados como o Mato Grosso, o preço da saca chega a R$ 29.

— O milho é usado, principalmente, como ração para animais. E preço do produto está muito baixo — afirmou.

Ele destacou que, além da safra recorde no Brasil, há uma oferta mundial de 314 milhões de toneladas, ante 286 milhões de toneladas em 2022. Caso falte o produto ucraniano, os exportadores brasileiros podem mais vender no mercado externo e compensar as perdas que tiveram com a queda dos preços.

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— Por outro lado, países importadores, como China e Espanha, poderão comprar mais do Brasil — acrescentou Lucchi.

Outro fator é que a Ucrânia teve problemas com a safra, devido à falta de insumos causada pela guerra. No ano passado, disse o economista da CNA, os ucranianos exportaram 28 milhões de toneladas de milho e, em 2023, a previsão é de 19 milhões de toneladas.

No caso do trigo, o Brasil tem outros fornecedores, como Estados Unidos, Canadá e Argentina. Lucchi não acredita em reajustes generalizados nos preços.

Quanto aos fertilizantes, ele avalia que é impossível fazer qualquer estimativa neste momento. Lembrou que houve problemas de abastecimento em 2022 e que possivelmente os preços de adubos e defensivos podem aumentar. Mas isso aconteceria, em maior intensidade, se houvesse conflito no Mar Negro.

— Não apenas os fertilizantes ficariam mais caros, mas também o frete e o resseguro. O que vai acontecer com os fertilizantes é uma incógnita — afirmou.

Segundo Lucchi, a Rússia foi responsável por 25% do total de fertilizantes importados pelo Brasil — quase tudo é comprado no exterior. Entre outros países fornecedores, estão China, Canadá, EUA e Marrocos.