Economia
Irmãos Batista poderão aumentar sua fatia na JBS
Analistas, porém, não veem nisso um problema, pois proposta prevê que minoritários terão direitos iguais aos dos controladores. Operação é vista como positiva para acionistas, pois pode puxar valor das ações e aumentar governança
Com a proposta da dupla listagem, a tendência é que o grupo controlador da JBS tenha maior participação na empresa. Ao longo dos últimos anos, a companhia estudou diferentes formatos para realizar a migração, optando, no fim, por uma estrutura mais simples e que facilita a aprovação pelos acionistas, na visão de especialistas.
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O processo se dará por meio da negociação de Brazilian Depositary Receipts (BDRs, recibos de ações) no Brasil e de ações classe A na Bolsa de Nova York (Nyse).
Não está prevista uma nova oferta de ações no primeiro momento nem mudanças relevantes da estrutura corporativa. Com isso, os irmãos Batista mantêm o controle sem perderem participação com uma diluição dos papéis, o que também é positivo para os acionistas minoritários.
Em relatório, analistas do setor de agronegócio da XP destacam haver a possibilidade de o acionista controlador aumentar sua fatia. O bloco de controle da família Batista tem atualmente 48,83% da companhia.
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Esses analistas não consideram isso um problema, pois a proposta “garante aos minoritários direitos iguais aos controladores na conversão das ações.” Eles destacam ainda que um obstáculo nas tentativas anteriores foi o direito de veto utilizado pelo BNDES, que este não tem mais. A BNDESPar, seu braço de participação, detém ainda 20,81% da JBS e pode votar contra o plano, mas ser voto vencido.
Sem mudança de sede
A JBS planeja criar uma holding com uma empresa na Holanda para fazer a operação, a JBS NV. Ela será apenas o veículo para listagem, com a sede continuando no Brasil.
Na B3, a JBS NV será registrada como emissora estrangeira para listar BDRs de nível 2, que são produtos negociados no sistema da Bolsa e funcionam como recibos de compra de um ativo no exterior, neste caso, de ações.
Na Securities and Exchange Commission (SEC, a xerife do mercado americano), a JBS NV também será registrada como emissora para listar as ações na Nyse.
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O analista do setor de alimentos da Genial Investimentos, Lucas Bonventi, diz que a listagem nos EUA trará vários ganhos, inclusive de governança, já que a JBS estará sujeita a dois órgãos reguladores:
— Isso vai ampliar a base de investidores da companhia. Alguns investidores institucionais estrangeiros que gostariam de investir na empresa acabam lidando com algumas restrições pelo fato de a JBS estar listada apenas no Brasil.
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A proposta implica conversão simples de ações, concedendo aos acionistas minoritários direitos iguais aos dos controladores. Os investidores terão prazo de três anos para escolher entre as classes.
— A JBS não irá fazer uma nova emissão de ações, e sim uma dupla listagem. Além disso, ela não está provocando grandes mudanças na sua estrutura corporativa, mas adequando-se ao operacional, que tem boa parte nos EUA — destaca o analista de Agro, Alimentos e Bebidas da XP, Pedro Fonseca.
A companhia também está propondo a distribuição de R$ 2,2 bilhões em dividendos. Trata-se de um incentivo para que os atuais acionistas votem pensando no longo prazo, uma vez que um eventual desembolso com impostos devido a um potencial ganho de capital na conversão poderia afetar a decisão.
‘Todos acabam ganhando’
Quando concretizada, a operação não vai alterar a atual estrutura operacional e de gestão da JBS. Para Boventi, da Genial, ela é positiva:
— Entendemos que o investidor pessoa física foi tratado com equidade, e o principal ponto é que, com o destravamento de valor (da ação, esperado após a operação), todos os acionistas acabam ganhando.
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Ricardo José de Almeida, professor de Finanças Corporativas do Insper, ressalta que a companhia poderá emitir ações e ter mais sócios sem perder participação no controle, ou seja, haverá crescimento sem diluição de capital:
— Isso é bom para o controlador e para os minoritários.
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