Economia
Bolsas de NY em baixa, com guerra na Ucrânia e alta nos juros dos Treasuries
As bolsas de Nova York fecharam na maioria em baixa nesta segunda, 14, em mais uma sessão na qual o desenrolar da guerra na Ucrânia foi o principal alvo de atenção dos investidores. Sinalizações sobre tratativas diplomáticas para o conflito chegaram a impulsionar os índices, mas, ao longo da sessão, o otimismo no tema foi reduzido. A semana conta a ainda com a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed). De olho em uma provável alta de juros, os rendimentos dos Treasuries subiram, pressionando as ações, especialmente de tecnologia.
O índice Dow Jones fechou estável, a 32.945,24 pontos, o S&P 500 caiu 0,74%, a 4.173,11 pontos, e o Nasdaq recuou 2,04%, para 12.581,22 pontos.
Na visão de Edward Moya, analista da Oanda, a esperança de que a guerra possa terminar está sendo impulsionada pelas sanções à Rússia e às expectativas de que o isolamento do resto do mundo poderia prejudicar sua economia. Relatos de que o país procurou a China em busca de equipamentos militares levaram a especulações de que o Kremlin pode não estar bem preparado para uma longa guerra, aponta.
O S&P 500 segue no nível de 4.100 pontos, já que os traders continuam confiantes de que as ações serão capazes de lidar com o choque global das commodities da guerra e um ciclo de aperto constante do Fed, afirma Moya. Ainda assim, os russos continuam avançando com seu ataque militar e isso deve limitar qualquer ressalto de risco até que uma grande redução nas tensões seja confirmada, aponta. O Dow Jones foi destaque à medida que os investidores gravitam em direção a finanças, saúde e produtos básicos de consumo. Já o aumento dos rendimentos dos Treasuries “esmagou muitas ações de tecnologia”, enviando o Nasdaq para baixo e pesando S&P 500. Hoje, Apple (-2,66%), Amazon (-2,52%) e Alphabet (-3,02%), que controla a Google, foram quedas de destaque.
Para a Capital Economics, há espaço para ações de média e grande capitalização nos EUA apresentarem desempenho inferior ao do resto do mundo desenvolvido se houver uma diminuição do conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Desde o final de 2021, à medida que a perspectiva de uma política mais rígida do Fed e o fim da pandemia se aproximavam, papéis que haviam se valorizado fortemente no começo da pandemia, como tecnologia da informação e serviços de comunicação, começaram a sofrer uma reversão no desempenho, lembra a consultoria.
Autor: Matheus Andrade
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