Economia
Juros: Taxas caem com dinâmica cambial e fluxo, apesar de IPCA-15 e crise geopolítica
O mercado de juros relevou o IPCA-15 de fevereiro bem pior que o esperado e as tensões geopolíticas e fechou com taxas em queda. O novo recuo do dólar, que nas mínimas chegou a furar R$ 5, e o otimismo com a entrada de fluxo seguiram como principais fatores a explicar o movimento da curva. A leitura é que o dado ruim da inflação sugere a necessidade de a Selic permanecer em nível elevado por mais tempo, o que, por sua vez, deve continuar atraindo recursos externos para a renda fixa, com a taxa básica a caminho dos 13%.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 12,36% (regular) e 12,33% (estendida), de 12,433% ontem, e a do DI para janeiro de 2025, em 11,265% (regular) e 11,25% (estendida), de 11,401% ontem. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 11,17% (regular) e 11,16% (estendida), ante 11,261% ontem.
O IPCA-15 deste mês subiu 0,99%, acima do teto das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, que era de 0,96%, e muito além do 0,58% de janeiro. Em 12 meses, o índice sobe 10,76%. A reação do mercado ao dado ficou limitada ao início dos negócios. Na medida em que o dólar ia renovando mínimas, as taxas futuras acompanharam em baixa. A moeda americana chegou a operar abaixo dos R$ 5 no intraday, fechando em R$ 5,0042.
Flávio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos, viu o movimento da curva hoje descolado dos fundamentos e muito ainda ligado à perspectiva de fluxo. “O mercado parece ter realizado no fato”, disse, citando a piora da curva ontem à tarde descolada do câmbio, o que pode ter sido uma antecipação ao IPCA-15 ruim de hoje.
O fato de o número ter superado as estimativas desta vez não provocou aumento nas apostas para a Selic porque as expectativas já estão em níveis tão elevados que parecem ter atingido um teto, especialmente considerando que boa parte da inflação está vindo dos choques de oferta. “Não tem mudança na percepção de política monetária vinda da inflação porque é difícil apostar que a Selic vá além de 13%”, explica Serrano.
O economista-chefe do BNP Paribas, Gustavo Arruda, acredita que o BC não deve levar a Selic no fim do ciclo para algo muito além de 12%, 12,25% ao ano. “A política monetária já está na casa contracionista, e leva tempo para efeitos aparecerem. Quando olho a curva de juros, vejo cortes a partir do meio do ano para frente. Parece precipitado”, disse, em entrevista ao Broadcast.
Autor: Denise Abarca
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