Curiosidades

Cantora Maria Rita desabafa sobre ataques na internet: 'Sem vergonha ou cuidado'

Em entrevista ao 'Conversa vai, conversa vem', cantora fala das cobranças estéticas e de agressões pelas redes sociais: 'Mulher não pode se sentir uma grande gostosa'

Agência O Globo - 15/07/2026
Cantora Maria Rita desabafa sobre ataques na internet: 'Sem vergonha ou cuidado'
Maria Rita - Foto: Reprodução / Youtube

Maria Rita afirmou que o mercado da música ainda é muito influenciado pela questão estética, especialmente no que diz respeito às artistas mulheres. A cantora de 48 anos comentou sobre a cobrança por padrões estéticos em entrevista ao videocast, disponível no Youtube e no Spotify. Ela se registrou de um show que foi aclamado pela crítica, mas que gerou inúmeras agressões online 'sem um pingo de vergonha ou cuidado'. Veja a seguir:

Antônio Fagundes.

Cláudia Raia.

A indústria musical ainda é muito pressionada por padrões estéticos, principalmente no caso das mulheres. Você já se sentiu cobrado por atender a esses padrões cruéis?

Muito! Lembro de um show que fez no Rock in Rio, onde a crítica do GLOBO elogiou bastante, dizendo que levei uma roda de samba para um festival de rock e consideradas como o quinto melhor show do festival. Eu estava em êxtase no camarim e cometi o erro de abrir as redes sociais. E então, veio uma avalanche de comentários: “melancia”. Muitos ataques por estar com sobrepeso. Sem um pingo de vergonha, de cuidado. Pedi para bloquear certas palavras no canal de transmissão. Até hoje, olho aquilo e me questioneis: 'O que foi que eu fiz?'. No "Samba meu" (disco de 2007), apareci com um vestidinho curtinho e comentaram: "Quem é sério não precisa disso, a mãe dela nunca precisou". A mulher não pode se sentir uma grande gostosa.

Como se eles soubessem o que sua mãe pensaria ou como se fosse a mesma pessoa...

Curiosamente, assim que li essa crítica, caiu na minha mão um livro de fotografias com imagens da minha mãe usando um vestidinho aqui, recortado na lateral. Ela não pediu, ela queria. Eu também não preciso. Eu quero.

Débora Colker.

Você já relatou que o lado negativo da vida pública é a exposição. Qual é o seu limite?

Quando sinto que minha segurança e a relação com meus filhos estão ameaçadas. Inventaram que eu estava em um relacionamento com uma amiga, e meu filho me ligou da escola. Eu queria matar a pessoa que escreveu isso! Falei: "Filho, isso não é verdade". E ele me respondeu: "Não tem problema, mas pô, como eu explico isso para os meus amigos?". É onde há mais. Fui me isolando cada vez mais da questão da vida pessoal. Eu amo a noite, mas onde vamos acabar se tornando trabalho e todos estão com o celular na mão, gravando, fazendo vídeos, escrevendo. Aí surge uma limitação para mim: não me sinto bem quando não gosto de ver nas fotos. Pedem uma foto ou me pedem para cantar, e se não estou maquiada ou vestida especificamente... No samba, temos um código. Se eu for um show de um colega e ele não me regular, pode ser visto como uma ofensa. Assim que ele comenta que eu estou lá... Quando não estou disposto a lidar com isso, prefiro ficar em casa, colocar meu pijama, abrir um bom espumante e ficar tranquilo dentro de casa. Eu me preservo, mas sinto falta de sair.