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Mel Brooks, 100 anos: o que assistir do mestre do humor, que faz aniversário neste domingo (28)

Diretor, ator e roteirista, o centenário comediante segue em atividade, como o lançamento, em 2027, de sequência para 'S.O.S. — Tem um louco solto no espaço'

Agência O Globo - 28/06/2026
Mel Brooks, 100 anos: o que assistir do mestre do humor, que faz aniversário neste domingo (28)
Mel Brooks - Foto: Reprodução

O terrível frade Torquemada comandando a Inquisição Espanhola como um musical da Broadway; um xerife negro que transforma a vida de uma cidadezinha provinciana e racista do Oeste; um musical celebrando o líder nazista Adolf Hitler para se tornar propositalmente um fracasso retumbante dos palcos; uma satíra de Star Wars em que a versão do Mestre Yoda está mais preocupada com o merchandising do que em salvar o universo.

Tom Hanks:

Todas essas loucuras e misturas de gêneros saíram da mente de Melvin James Kaminsky, ou Mel Brooks, como se tornou conhecido entre os maiores nomes do humor mundial, no cinema, na TV, no teatro e até na indústria fonográfica. Nascido em uma família judia numa área de cortiços do Brooklyn, em Nova York, há exatos 100 anos, Brooks segue em atividade: , tem estreia prevista para abril de 2027.

Após viver uma uma infância pobre, Brooks para deu os primeiros passos na comédia no stand-up, quando era baterista numa casa de shows e substituiu um comediante adoentado. Na TV, começou a escrever esquetes para o programa ao vivo "Your Show of Shows", exibido pela NBC de 1950 a 1954, onde teve seu primeiro grande sucesso com o personagem 2000 Year Old Man. Improvisando com o parceiro Carl Reiner, Brooks interpretava o Homem de 2000 Anos, que testemunhara os maiores eventos da história — o sucesso foi tamanho que a dupla vendeu mais de um milhão de cópias dos discos gravados com suas piadas.

Também com Carl Reiner, Brooks criou um dos maiores sucessos do humor na TV dos anos 1960, a série “Agente 86”, com Don Adams como o espião atrapalhado Maxwell Smart. A série abriu para ele as portas do cinema, meio em que consquistou definitivamente o público, tornando-se um dos monstros sagrados do humor no século XX.

O hoje centenário diretor, ator, produtor e roteirista é um dos poucos artistas com o título "EGOT", tendo conquistado os principais prêmios de cada área: Emmy (TV), Grammy (música), Oscar (cinema) e Tony (teatro). E, para os fãs que conhecem apenas sua veia cômica, Brooks surpreende ao produzir clássicos do cinema de outros gêneros, como o drama “O homem elefante” (1980), de David Linch, e o terror/ficção “A mosca” (1986), de David Cronenberg, por meio de sua produtora, a Brooksfilms. Confira abaixo algumas das principais produções para conhecer a obra do centenário Mel Brooks.

'Primavera para Hitler' (1967)

Uma das maiores comédias de todos os tempos, escrita e dirigida por Brooks. Estrelado por Gene Wilder, na primeira parceria entre os dois, o longa acompanha o tímido contador Leo Bloom (Wilder) e o produtor picareta Max Bialystock (Zero Mostel), que descobrem que um grande fracasso na Broadway pode ser mais lucrativo que um sucesso, desde que a temporada não se estenda para além da estreia (com o valor das demais apresentações podendo ser embolsado). Para isso, terão que descobrir o pior texto já escrito para o teatro, justamente o musical que é uma ode ao líder nazista. Em 2001, "The producers" foi adaptado para os palcos, estrelada por Nathan Lane e Matthew Broderick, que também protagonizaram versão cinematográfica lançada em 2005. Vencedor de 12 Tonys, o musical ganhou versões por todo o mundo: no Brasil, a adaptação de 2007 de "Os produtores" foi estrelado por Miguel Falabella e Vladimir Brichta.

'Banzé no Oeste' (1974)

Depois de "Banzé na Rússia", de 1970 (adaptação do romance "As 12 cadeiras", escrito em 1928 pelos ucranianos Ilya Ilf e Yevgeny Petrov), Brooks lançou em 1974 uma de suas comédias mais conhecidas, "Banzé no Oeste" ("Blazing saddles", no original, com o termo "Banzé" usado nos dois títulos no Brasil após o sucesso do segundo). Na comédia, o diretor explora o gênero western para ironizar o racismo na sociedade americana, a partir da história do forasteiro negro Bart (Cleavon Little), que é contratado como xerife da cidade de Rock Ridge e enfrenta a resistência local. Para vencer o preconceito e os poderosos locais, ele se alia ao pistoleiro bêbado Waco Kid (Gene Wilder).

'O jovem Frankenstein' (1974)

Outro clássico do humor escrito e dirigido por Brooks, "O jovem Frankenstein" volta a reunir o diretor com o ator Gene Wilder, que dá vida ao dr. Frankenstein. Neto de um cientista infame, ele tenta provar que seu avô não era tão louco quanto as pessoas defendiam e acaba descobrindo o processo de reviver um cadáver. Rodada em preto e branco, a sátira/homenagem aos clássicos de terror da Universal nos anos 30 tem sua força cômica também na atuação de Marty Feldman (Igor, o assistente disforme de Frankenstein), Peter Boyle (como o monstro trazido à vida por Frankenstein) e Kenneth Mars (o Inspetor Kemp, com sua prótese na mão).

'A última loucura de Mel Brooks' (1976)

Após homenagear outros gêneros e vertentes da sétima arte, Brooks celebra o cinema mudo, fazendo um longa sem uma única palavra, com os diálogos com cartelas, em plena década de 1970. Na trama, ele interpreta Mel Funn, um diretor que quer voltar a seus dias de glória em Hollywood, com o ousado do projeto de fazer um filme mudo para salvar um estúdio decadente. Tendo ao seu lado alguns de seus velhos parceiros de comédia, como Marty Feldman, Dom DeLuise e Sid Caesar, Brooks tenta recrutar estrelas do cinema para o projeto, interpretando a si mesmo, como Paul Newman, Liza Minnelli, Burt Reynolds, James Caan e Anne Bancroft (com quem o diretor foi casado por anos na vida real). Uma das maiores gags do filme é que a sua única palavra com som é dita pelo célebre mímico francês Marcel Marceau.

'Alta ansiedade' (1976)

Neste tributo ao suspense e à obra do mestre Alfred Hitchcock (com direito a citações a clássicos como "Os pássaros", "Um corpo que cai" e "Psicose"), Brooks interpreta o Dr. Richard Thorndyke, um dos mais renomados psiquiatras do mundo, que esconde de todos que sofre de um transtorno mental conhecido como "alta ansiedade". Ao assumir a direção do Instituto Psiconeurótico para Pessoas Muito, Muito Nervosas, Thorndyke tem de lidar com o complô de membros da instituição, que pode levá-lo à morte. O longa também destaca a atuação de comediantes femininas presentes em 'O jovem Frankenstein', como Cloris Leachman (a terrível enfermeira Charlotte Diesel) e Madeline Kahn (a sedutora Victoria Brisbane).

'A história do mundo – Parte I' (1981)

Dividido em uma série de esquetes cômicas, Brooks satiriza alguns os principais eventos da Humanidade, em diferentes momentos, desde a Idade da Pedra. O diretor interpreta diferentes personagens, como Moisés (que desce do Monte Sinai com três tábuas de pedra, mas, ao quebrar uma, transforma os 15 mandamentos em dez); Comicus, um aspirante a comediante stand-up no Caesars Palace, na Roma Antiga; o frade Torquemada, que conduz a tortura de condenados pela Inquisição Espanhola como um número musical; ou o Rei Luís XVI, que vive uma vida de fartura e luxúria às vésperas da Revolução Francesa (é da esquete o bordão mais famoso do longa: "É bom ser rei"). Depois de 40 anos, o longa ganhou uma continuação, "A história do mundo - Parte 2" (2023), no streaming da Disney+.

'S.O.S. — Tem um louco solto no espaço' (1987)

Satirizando sucessos de ficção científica como a saga Star Wars e "2001 — Uma odisseia no espaço", "Alien" e "Planeta dos Macacos", Brooks adaptou em "Spaceballs" de forma cômica o universo criado por George Lucas e seus personagens. Na trama, o Império comandado pelo Presidente Skroob (Brooks) e pelo terrível Dark Helmet (versão de Darth Vader interpretada por Rick Moranis) planeja roubar o ar do planeta Druidia e, para isso, sequestra a mimada Princesa Vespa (com Daphne Zuniga em sua versão de Leia, com direito a uma robô humanóide que remete a C3-PO). Para salvá-la, o rei de Druidia contrata o mercenário espacial Lone Starr (Bill Pullman, num misto de Han Solo e Luke Skywalker), que pilota um trailer voador com a ajuda de Barf (John Candy, o copiloto meio homem, meio cachorro, referência a Chewbacca). Para enfrentar Dark Helmet, Lone Starr precisa dominar o uma força mística conhecida como "Schwartz", e para isso se torna pupilo do mestre Yogurt (também Brooks), versão de Yoda que tenta decifrar um dos principais segredos do universo: o merchandising. Uma continuação será lançada no ano que vem, com Rick Moranis voltando da aposentadoria para vestir novamente o enorme capacete de Dark Helmet.

'Drácula — Morto, mas feliz' (1995)

Após o renegado "Que droga de vida" (1991) e "A louca louca história de Robin Hood" (1993), sátira menos inspirada do longa "Robin Hood — O príncipe dos ladrões" (1991), estrelado por Kevin Costner, Brooks se une a outro gigante do humor, Leslie Nielsen, numa versão cômica de "Drácula de Bram Stoker" (1992), de Francis Ford Coppola. Na trama, o astro da franquia "Corra que a polícia vem aí" vive o atrapalhado Conde Drácula, que planeja ir a Londres seduzir a jovem Mina Seward (Amy Yasbeck). Em meio a situações de comédia pastelão, o vampiro tem de enfrentar o excêntrico Dr. Van Helsing (Mel Brooks), com seu sotaque holandês exagerado e quase incompreensível. Último filme dirigido, escrito e estrelado por Mel Brooks para o cinema.